Crítíca a Goor – A Crónica de Feaglar (versão 2006) por Andreia Torres

26.05.12

A primeira coisa que impressiona nestes dois livros é um claro sentimento de desengano, caso o comecemos a ler com a ideia de irmos mergulhar num mundo de magos, elfos, fadinhas e redundâncias do género. Esqueçam o estafado Sword and Sorcery. Aqui a história é outra, pois não se trata de um copycat de obras de referência (defeito de tantos outros autores). A Sorcery é (felizmente) substituída pela vontade dos Homens e a Sword surge em boas quantidades, em duelos individuais ou grandes batalhas, sempre sensacionistas e visuais, mas credíveis – provando que o aspecto bélico foi bem estudado. Essas habituais soluções sobrenaturais (que por vezes nada mais são do que facilitismos) não encontram aqui lugar. O inverosímil surge alicerçado em ténues sugestões que me recordaram algumas obras de Ficção Científica de autores como David Brin ou mesmo escritos de J.S. Hunsaker. Uma sublime influência de von Däniken e de Robert K. G. Temple? Talvez. Uma coisa é certa: não se trata de Fantasia.
Goor brota de uma intensa originalidade e grandeza (universo extremamente complexo e bem descrito), apesar de manter uma estrutura de Demanda Arturiana por um objecto – neste caso o Draidex. Não havia necessidade de tal, mas talvez essa existência brote um inconsciente desejo de ter uma trave-mestra em torno da qual o emaranho é construído. Mas essa Demanda eclipsa-se e torna-se secundária à medida que o intrincado enredo se desenvolve e fica subordinada ao aspecto humano das personagens. Temos aqui o grande trunfo da obra: personagens verosímeis com as quais nos podemos identificar, personagens com quem podemos reflectir, sonhar, chorar ou rir. Desenganem-se portanto os adeptos dos heróis virtuosos em cavalos brancos (cujo lugar é no nicho do infanto-juvenil), aqui irão encontrar pessoas (reais) com defeitos e virtudes, como qualquer um de nós. As suas dúvidas existenciais não são esquecidas e revelam-se, basicamente, aquelas que sempre nos inquietaram. Esse realismo existencial é tão marcante que o leitor chega mesmo (sem qualquer dificuldade) a estabelecer paralelismos com determinados episódios da sua própria vida. O romance (propriamente dito) surge bem doseado, apesar de, por vezes, chegarmos a abominá-lo por “empastelar” em demasia a acção. De realçar ainda o facto de duas das três personagens mais interessantes e complexas serem femininas. Neste livro as mulheres não são vistas como meras figurantes acéfalas e frágeis (os habituais “acessórios de beleza e erotismo” que necessitam do “protector braço masculino”) e movem-se entre os papéis de antagonistas, coadjuvantes ou mesmo de protagonistas, tal é a sua importância. Destas destaco Calédra, o condimento essencial, sem a qual a história poderia tornar-se fastidiosa. Esta Red Sonja (mais refinada, mas igualmente poderosa – talvez até mais) de Pedro Ventura, inverte em vários aspectos os estereótipos sexistas e teria certamente lugar de destaque num painel de Susan Wood.
A prosa de Pedro Ventura é directa e apoia-se mais na sensação, no entretenimento, apesar de não descurar, aqui e ali, alguma “doutrinação”. A linguagem é fluida e, quando não o é, torna-se um pouco artificial, pesada, talvez por suposta “exigência”do Género Épico, da qual discordo. Algumas gralhas (que não são suficientes para perturbar a leitura) revelam um mau trabalho editorial de revisão. Também há alguns “vícios de escrita” que me parecem contaminação do anglo-saxónico e que deviam ter sido corrigidos. Certas personagens secundárias mereciam mais atenção para não aparentarem tanta uniformidade e não serem tão monocórdicas.
Em resumo: dentro do seu género, esta é uma obra indispensável, sem paralelo, quando comparada com os outros autores portugueses (até porque é difícil encontrar termo de comparação entre escritores maioritariamente “copistas” de modelos importados), e que me faz pensar que perdi tempo ao tempo ao ler Marion Zimmer Bradley, claramente inferior. Torna-se óbvio que Pedro Ventura devia ter traduzido os dois Goor e optado por publicar no estrangeiro, antes mesmo de ter sequer pensado em fazê-lo em Portugal, mercado demasiado pequeno e muito dado a “monoideísmos”.

Women of the Revolution - Kira Cochrane

24.04.12

 

 

When hundreds gathered in 1970 for the UK's first women's liberation conference, a movement that had been gathering strength for years burst into a frenzy of radical action that was to transform the way we think, act and live. In the 40 years since then, the feminist movement has won triumphs and endured trials, but it has never weakened its resolve, nor for a moment been dull. The Guardian has followed its progress throughout, carrying interviews with and articles by the major figures, chronicling with verve, wit and often passionate anger the arguments surrounding pornography, prostitution, political representation, power, pay, parental rights, abortion rights, domestic chores and domestic violence. These are articles that, in essence, ask two fundamental questions: Who are we? Who should we be?
This collection brings together - for the first time - the very best of the Guardian's feminist writing. It includes the newspaper's pioneering women's editor, Mary Stott, writing about Margaret Thatcher, Beatrix Campbell on Princess Diana, Suzanne Moore interviewing Camille Paglia, and Maya Jaggi interviewing Oprah Winfrey; there's Jill Tweedie on why feminists need to be vocal and angry, Polly Toynbee on violence against women, Hannah Pool on black women and political power, and Andrea Dworkin writing with incendiary energy about the Bill Clinton sex scandal.
Lively, provocative, thoughtful and funny, this is the essential guide to the feminist thinking and writing of the past 40 years - the ultimate portrait of an ongoing revolution.

 

Por Andreia Torres

Curtas por Andreia Torres: Far-Seer

03.01.12

 

Dinossauros sapientes? Exacto! Nesta obra de Robert Sawyer temos uma história deveras interessante com personagens e uma sociedade surpreendentemente credíveis. Orbitando em torno da oposição ciência – religião, o autor cria paralelos com a História humana numa cativante parábola intíma e arrebatadora. A introspecção talvez seja exagerada, mas não faz mudar de opinião:É excelente! Uma obra de especulação biológica que não cai na tentação do absurdo só para ser diferente – algo que alguns ainda defendem em PT. É diferente por sí própria e com qualidade! Vale a pena conhecer Asfan!                                                                                   Por Andreia Torres

 

publicado por sá morais às 23:01

Esta explicação poupa-me muito trabalho a falar sobre Twilight!!! Deviam convidar o Skippy para ser crítico literário. É mais critico que muita gente…

03.10.11
Skippy tells us exactly what he thinks about Twilight! Stupid Vampires, and the Stupid Women who love them. Oh, and "Neck Sucking". Classic Skippyshorts is BACK!!!
Por Andreia Torres

Curtas por Andreia Torres: Avatar

30.03.11

 

 

Bem, em primeiro lugar não estamos a falar do The High Crusade ou Operation Chaos, trata-se de Avatar - desenganem-se os que já se puseram a pensar no filme pois estamos a falar de Poul Anderson. Aqui falamos de um tipo com cascos! As maiores críticas que tenho em relação a este livro prendem-se com a artificialidade dos diálogos (demasiado monocórdicos e formais), uma prosa (a poesia chega meter dó!) por vezes enfadonha, um erotismo que não sai de concepções de romantismo juvenil, ideais demasiado ingénuos para serem levados a sério (fora dos anos 60 e sem alguma mary jane) e personagens estereotipadas – Broderson é o perfeito rebelde, apenas traído por um coração “demasiado grande” (um alter-ego de Poul?) e Caitlin é tão perfeitinha (um ideal chauvinista?) que apetece espancá-la logo nas primeiras páginas. A contrabalançar estes aspectos negativos temos um fabuloso universo, complexo e apelativo, usando conceitos inovadores (na época) que seriam aproveitados até aos dias de hoje. O resultado final desta “pesagem” ainda hoje me deixa na dúvida. É certo que não é o melhor livro de PA, ficando-se nessa incerta mediania, mas sempre é melhor do que muita “coisa” que por aí anda. Fica como referência comparativa para futuras classificações.

 

 

 

 

  NOTA: 10 ( 0 – 20 )

 

Por: Andreia Torres      

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Curtas por Andreia Torres – Altered Carbon

03.03.11

 

Altered Carbon de Richard K. Morgan. Tido por alguns como uma obra de culto no universo Ciberpunk ( ou talvez apenas por isso ). O enredo é interessante, tal como a ideia que lhe serve de tálamo. Porém, à luz de uma comparação com William Gibson, passa a ser a visão sobre esta obra a ficar “alterada”. Mas até nem precisamos de tanto (desculpa Léo Spitzer) para perceber como o livro é aborrecido – tanta “palha” poderia ter sido cortada por um editor avisado! O estilo é forçado, muito! Insistir em “marcas de estilo” só para agradar aos apreciadores do género geralmente dá nisto – um absurdo forçado, artificial e ridículo. Só um Anatole France vestido de “leather” aprovaria. As descrições das personagens são paupérrimas e as cenas de sexo parecem descritas por um rapazola de 13 anos. No fim, não é Spillane nem Gibson… Mas há quem goste…

Curtas por Andreia Torres: Floating Dragon

03.01.11

Floating Dragon – Um dos melhores trabalhos de Peter Straub sem dúvida — em contraste com Mr. X. um exercício de algum narcisismo exagerado. Um livro ( muito ) inteligente de horror sobrenatural em “grande escala”. Aqui tudo parece tecido com cuidado milimétrico e essa teia agarra-nos desde o primeiro instante. O ritmo… é adequado e as personagens são intrincadas e inesquecíveis, não sendo apenas figurantes “carne para canhão” – como geralmente acontece nos livros de contornos “body count”. A ideia de ser um calhamaço desaparece para quem suportar bem o peso dos artifícios necessários ao suspense. Imagine-se que até as personagens femininas são credíveis e isentas dos estribilhos habituais! Além do mais, este livro é realmente bizarro e arrepiante – sendo nestes aspectos até superior a King. Mas não direi mais para não ser spoiler! Prepare-se para sentir arrepios…

publicado por sá morais às 23:08

Personagens Femininas Fortes da Literatura, Televisão e Cinema

13.08.10

Decidi pegar neste desafio que encontrei na internet e usá-lo aqui.

I want to compile a list of strong female lead characters from sci-fi, fantasy and action media– literature, film, television. I do have a few restrictions–

  • No co-star/ensemble leads. They must be the definitive lead, no True Lies or The Incredibles, or Mr. & Mrs. Smith style answers, please.
  • No Damsel in Distress syndrome. It’s fine if a man comes to their aid once, maybe twice, but ultimately they must be strong enough to get themselves out of their own scrapes.
  • No anime. Sorry, but the anime sub genre is a whole separate focus.
  • No comic book or videogames exclusive characters. Again, whole separate focus.
  • No children. Teenagers and up, only. I reserve the right to alter this rule in one direction of the other.
  • No “sex pots.” Good rule of thumb–if each breast is roughly the size of their head, or they perform a strip tease for no good reason–don’t suggest them.

 

Vou recordar apenas duas (óbvias ) personagens do cinema, mas espero que tragam mais. Será uma boa forma de recordar e reflectir sobre personagens que quebraram muitos dos estereótipos que ainda hoje surgem como um estigma. Atenção! Não pretendo personagens tipo Barb Wire nem duplas! 

 

 

Ellen Ripley ( Sigourney Weaver – Alien ) Definida como "one of the first female movie characters who isn't defined by the men around her, or by her relationship to them", esta é uma personagem incontornável quando se fala de personagens “fortes”e de ficção cientifica. Esta “heroína improvável” é empurrada pelas circunstâncias e acaba por ter sucesso onde nem os duros “space marines” ou “double-Y”conseguem, enfrentando uma das “piores espécies do cinema”, sem nunca perder as marcas da sua feminilidade. Muitas vezes movida pelo puro instinto de sobrevivência, Ripley também revela inteligência, adaptabilidade, um feroz desejo de “acertar contas” e até instintos maternais - veja-se o salvamento desesperado de Newt em Aliens. 

 

 

Yu Shu Lien (Michelle Yeoh) Um pouco esquecida, esta personagem teve a “sorte” de ser encarnada pela Michelle que lhe empresta uma férrea serenidade. Confiança, altruísmo, honra, talento, sabedoria e força não lhe faltam. A sua  relação com Li Mu Bai é retratada com grande beleza e sem os “disparates parvo-românticos” do costume. Uma mulher que, sendo vulgar, não o é.

 

 

No panorama nacional é muitíssimo difícil encontrar personagens que “encaixem” neste escrutínio. Assim de memória, apenas me lembro de uma. 

 

 

Calédra Denaris ( Goor – A Crónica de Feaglar ) – Mesmo sendo referida como extremamente bela, não faz dessa característica uma “arma de destruição maciça” e é por isso que não é excluída – razão que leva, por exemplo, Lara Croft a o ser. Atraiçoada, incapaz de salvar os filhos, encarcerada, deixada para morrer, Calédra resiste a tudo, apesar de isso deixar profundas marcas no seu carácter algo volúvel – oscilando entre a vilania e a heroicidade, o que lhe dá autenticidade. Vaidosa, prepotente, talentosa e temerária, este “uplift” de uma raça já por si “superior”( sem feitiçarias ou passes de mágica ) surge como um volte-face no enredo e assume um protagonismo pouco usual num Género em que as mulheres geralmente não passam da princesa chorosa e tremente.    

 

 

Por: ANDREIA TORRES 

Curtas por Andreia Torres - Stranger in a Strange Land

31.05.10

 

Tido para alguns como uma obra-prima da SF ( Heinlein discorda ), este é, de facto, um livro muito bem escrito que tenta estimular o pensamento critíco, o que só por si já é uma colossal virtude. No entanto, a limitação temporal da sua essência filosófica acaba por lhe tirar a "validade", caíndo no campo do utópico, do... impraticável e até mesmo do ridicúlo. Mas entende-se: a ideia era apelar à cultura pop dos anos 60. Hoje já não funciona e acaba por parecer ( certos momentos ) um romance de Aranda. E o que dizer de estereótipos como os presentes nas personagens femininas? Sexismo patético! Leia, mas há ( bem )melhor de Heinlein.

Deixando de lado as longas considerações sobre a "artfulness" ( que daria em interminável verborreia ) de todos os livros de Heinlein. A resposta populista e esperada podia ser "Glory Road" ou "The Moon is a Harsh Mistress". Não. Red Planet, por exemplo - apanhando os pontos de contacto ente ambas as obras. Exactamente por estar distante do realismo ( tão louvado ) que, pelas razões supracitadas, me parece tão pouco real ou actual. É mais simples e até juvenilesco? É! Mas quando se tratam disturbios morais e filosofias sociais ( por exemplo ) da forma com ele faz "à séria", melhor mesmo é ficar pelo "soft", mais virado para o entretenimento. Engole-se melhor. Afinal, quando não se sabe fazer "cozido", o melhor mesmo é ficar pelas "batatas fritas"!
Mas alterando a pergunta mesmo para "O que há melhor que heinlein, dentro desta temática?" Reponderei indirectamente a isso numa proxima publicação, ok?
 
por Andreia Torres
publicado por sá morais às 11:01

Nova colaboração no Voz!

28.05.10

Depois de longas e complicadas negociações (), o blog Voz de Celénia chegou a acordo com uma "expert" no campo da degustação literária, que causou grande impacto no Facebook. A partir de agora, as suas curtas mas incisivas e sapientes "reviews" também serão publicadas neste blog. O seu nome: Andreia Torres!

 

publicado por sá morais às 23:30

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