O Regresso dos Deuses - Rebelião (Rogério Ribeiro)

26.05.12

 

 

 

 

 

   Calédra, antiga rainha dos aurabranos, é acordada após um sono de décadas, qual Merlin destinado a ressurgir no momento de maior necessidade. Mas aqui começa também o calvário desta personagem: as expectativas de um mundo pesam sobre esta guerreira singular, mas ainda desorientada perante a nova era. A reacção não poderia deixar de ser intempestiva; de vontade férrea, aceita a sua responsabilidade, mas nos seus próprios termos.

   Crescentemente, Calédra torna-se um “buraco-negro” que condiciona amigos e inimigos. Para além disso, é esta a personagem que marca todo o livro, e é ela que o carrega do princípio ao fim. Dona de uma personalidade indomável, revelando-se muitas vezes prepotente, arbitrária, ou apenas moralmente alheada, Calédra demonstra uma aposta de Pedro Ventura em criar uma protagonista em tudo diferente do molde já batido da comum fantasia épica.
Aliás, também o arco de história, que engloba mais do que este livro, deixa, principalmente na figura dos endeusados Holkan e da sua relação com Calédra, pistas que remetem esse mesmo registo de fantasia épica para um suspeito véu colocado sobre a nossa percepção da realidade.

Toda a narrativa está bem construída (para um volume que funciona como introdução a uma obra mais vasta), mas assenta fortemente na aceitação do leitor em se tornar em mais um dos seguidores indefectíveis de Calédra. Sem essa “submissão”, que o autor consegue lograr pelo arrojo com que impõe a protagonista, imagino que a leitura seja dificultada. Com uma escrita adulta, e um enredo que muito se aproxima de um espírito quase shakespeariano, Pedro Ventura faz poucas concessões ao facilitismo, ocupando uma posição na actual literatura fantástica nacional que, apesar de não esvaziada de executantes, era urgente reforçar.

   A linguagem utilizada poderá revelar-se outro ponto de ruptura. Assumidamente grandíloquo, poderá para alguns leitores ser insuportavelmente pomposa. Verdadeiramente, o nível de tolerância é marcado pela imersão que o leitor ser permitirá ter na história. E esta limitação inicial acaba por ser uma mais-valia para o seguimento da leitura; quer quando existem alguns episódios cuja exposição está menos conseguida, quer quando as atitudes das personagens dificultam a manutenção de empatia ou identificação do leitor com as mesmas. Mas para quem lá chegar, a leitura já se terá tornado compulsiva.

   Apresentando-se como um (re)início ambicioso, e deixando no final das suas páginas a promessa de maiores revelações num volume vindouro,Regresso dos Deuses – Rebelião marca, em boa hora, a “descoberta” de Pedro Ventura pelo grande público. Estão de parabéns o autor e a editora, por esta honrosa adição à colecção Via Láctea."

 

 

 

Rogério Ribeiro ( editor, membro-fundador e presidente da Épica – Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes, e organizador do Fórum Fantástico )

Crítíca a Goor – A Crónica de Feaglar (versão 2006) por Andreia Torres

26.05.12

A primeira coisa que impressiona nestes dois livros é um claro sentimento de desengano, caso o comecemos a ler com a ideia de irmos mergulhar num mundo de magos, elfos, fadinhas e redundâncias do género. Esqueçam o estafado Sword and Sorcery. Aqui a história é outra, pois não se trata de um copycat de obras de referência (defeito de tantos outros autores). A Sorcery é (felizmente) substituída pela vontade dos Homens e a Sword surge em boas quantidades, em duelos individuais ou grandes batalhas, sempre sensacionistas e visuais, mas credíveis – provando que o aspecto bélico foi bem estudado. Essas habituais soluções sobrenaturais (que por vezes nada mais são do que facilitismos) não encontram aqui lugar. O inverosímil surge alicerçado em ténues sugestões que me recordaram algumas obras de Ficção Científica de autores como David Brin ou mesmo escritos de J.S. Hunsaker. Uma sublime influência de von Däniken e de Robert K. G. Temple? Talvez. Uma coisa é certa: não se trata de Fantasia.
Goor brota de uma intensa originalidade e grandeza (universo extremamente complexo e bem descrito), apesar de manter uma estrutura de Demanda Arturiana por um objecto – neste caso o Draidex. Não havia necessidade de tal, mas talvez essa existência brote um inconsciente desejo de ter uma trave-mestra em torno da qual o emaranho é construído. Mas essa Demanda eclipsa-se e torna-se secundária à medida que o intrincado enredo se desenvolve e fica subordinada ao aspecto humano das personagens. Temos aqui o grande trunfo da obra: personagens verosímeis com as quais nos podemos identificar, personagens com quem podemos reflectir, sonhar, chorar ou rir. Desenganem-se portanto os adeptos dos heróis virtuosos em cavalos brancos (cujo lugar é no nicho do infanto-juvenil), aqui irão encontrar pessoas (reais) com defeitos e virtudes, como qualquer um de nós. As suas dúvidas existenciais não são esquecidas e revelam-se, basicamente, aquelas que sempre nos inquietaram. Esse realismo existencial é tão marcante que o leitor chega mesmo (sem qualquer dificuldade) a estabelecer paralelismos com determinados episódios da sua própria vida. O romance (propriamente dito) surge bem doseado, apesar de, por vezes, chegarmos a abominá-lo por “empastelar” em demasia a acção. De realçar ainda o facto de duas das três personagens mais interessantes e complexas serem femininas. Neste livro as mulheres não são vistas como meras figurantes acéfalas e frágeis (os habituais “acessórios de beleza e erotismo” que necessitam do “protector braço masculino”) e movem-se entre os papéis de antagonistas, coadjuvantes ou mesmo de protagonistas, tal é a sua importância. Destas destaco Calédra, o condimento essencial, sem a qual a história poderia tornar-se fastidiosa. Esta Red Sonja (mais refinada, mas igualmente poderosa – talvez até mais) de Pedro Ventura, inverte em vários aspectos os estereótipos sexistas e teria certamente lugar de destaque num painel de Susan Wood.
A prosa de Pedro Ventura é directa e apoia-se mais na sensação, no entretenimento, apesar de não descurar, aqui e ali, alguma “doutrinação”. A linguagem é fluida e, quando não o é, torna-se um pouco artificial, pesada, talvez por suposta “exigência”do Género Épico, da qual discordo. Algumas gralhas (que não são suficientes para perturbar a leitura) revelam um mau trabalho editorial de revisão. Também há alguns “vícios de escrita” que me parecem contaminação do anglo-saxónico e que deviam ter sido corrigidos. Certas personagens secundárias mereciam mais atenção para não aparentarem tanta uniformidade e não serem tão monocórdicas.
Em resumo: dentro do seu género, esta é uma obra indispensável, sem paralelo, quando comparada com os outros autores portugueses (até porque é difícil encontrar termo de comparação entre escritores maioritariamente “copistas” de modelos importados), e que me faz pensar que perdi tempo ao tempo ao ler Marion Zimmer Bradley, claramente inferior. Torna-se óbvio que Pedro Ventura devia ter traduzido os dois Goor e optado por publicar no estrangeiro, antes mesmo de ter sequer pensado em fazê-lo em Portugal, mercado demasiado pequeno e muito dado a “monoideísmos”.

Pedro Ventura na Feira do Livro do Porto 2012

21.05.12

Pedro Ventura estará presente na Feira do Livro do Porto 2012 no dia 7 de Junho, das 17h30 às 19h30, em conjunto com o Rodrigo McSilva.

 

 


Regresso dos Deuses - Rebelião (Sofia Teixeira - Blog Morrighan)

28.04.12

 

 

 

 

 

"Apesar de estar inserido na colecção Via Láctea, 'O Regresso dos Deuses - Rebelião' não é tanto um livro de fantasia enquadrado nos padrões habituais, contendo sim elementos sobrenaturais que lhe dão um toque mais místico.
Outro ponto de ruptura com o fantástico a que estamos habituados, é a caracterização da personagem principal. Ao invés de termos a parte feminina mais fraca em que existe uma masculina claramente dominante que tem como função proteger a mulher frágil, aqui temos uma protagonista em que ela é que está despida de qualquer fraqueza aparente tendo uma personalidade extremamente forte, um carácter determinado e um punho de ferro. Calédra Denaris é sem dúvida uma personagem enigmática, obscura e ao mesmo tempo fascinante na sua frieza em relação ao que a rodeia."

 

 

 

 

 

 

 

Bibiliografia de Pedro Ventura (2006-2012)

12.04.12

         

 

  • Em Setembro de dois mil e seis publicou o seu primeiro livro, o romance épico Goor – A Crónica de Feaglar, volume 1, com a chancela da Papiro Editora.

 



  •        O lançamento de Goor – A Crónica de Feaglar, volume 2, decorreu a 13 de Outubro de dois mil e sete, na Livraria Pretexto, Viseu.

 

  • Lançamento do livro "Páginas Lentas", no qual está incluido o conto "Darwar de Celénia" no dia 6 de Dezembro de 2008, na Fnac/Palácio do Gelo - Viseu

 

 

  •  Participação com um conto e uma entrevista na e-zine DAGON!

 

  • Participação com um artigo na Dagon I ( versão de papel )

 

 

  •  Participou com o conto “Nunca Estarás Só” na colectânea de escritores viseenses Páginas Lentas 2 (2009), dirigida pelo GICAV de Viseu.

 

  •  Participou com o conto “O Verdadeiro Viajante do Tempo” na colectânea de escritores viseenses Páginas Lentas 3 (2010), dirigida pelo GICAV de Viseu.  

 

 2012


 

  • Lançamento de O Regresso dos Deuses - Rebelião pela Editorial Presença.

 

  •  Participou com um conto "Uma Questão de Lugar" na Vollüspa - Antologia de Contos de Literatura Fantástica.

 

Opinião O Regresso dos Deuses - Rebelião (Blog Morrighan - Sofia Teixeira)

11.04.12

O Regresso dos Deuses - Rebelião 
Pedro Ventura

Editora: Editorial Presença
Colecção: Via Láctea (#95)

Sinopse: Após um longo sono de várias décadas, Calédra, a bela guerreira aurabrana, desperta subitamente para uma realidade que lhe é estranha, um tempo que não é o seu. Antiga rainha dos aurabranos e senhora de um passado obscuro, Calédra, outrora conhecida como a Portadora da Luz, está destinada a protagonizar uma missão quase impossível – salvar o mundo, e muito em particular os humanos, da crescente ameaça representada pelo domínio Holkan. Ao longo desta saga extraordinária, são muitos (e improváveis) os aliados que Calédra vai encontrando, e muitas são também as vezes em que a guerreira enfrenta inimigos terríveis – como Mugar-Abe, o tenebroso regente do reino e aliado dos Holkan – e se vê às portas da morte. Mas o seu espírito singular e inquebrantável promete dar luta aos seus inimigos e cativar-nos desde logo, pela sua determinação, levando-nos a ler com insaciável voracidade as páginas deste épico vibrante.

Opinião: Após as excelentes leituras que foram os dois Goor de Pedro Ventura, este traz-nos agora uma nova obra, inserida no mesmo mundo contudo num tempo bastante diferente.

Dada a separação que houve entre os dois volumes anteriores, que não se encontram à venda, e este, a parte inicial da história acaba por ser uma contextualização histórica e temporal relativamente aos Goor.
Calédra, personagem de grande destaque nos Goor, acorda então passadas algumas décadas sem compreender o porquê de ter sido preservada este tempo todo. Quando toma consciência de si no mundo em que se encontra, não reconhece ninguém e pergunta-se qual será o seu propósito. Quando o compreende, uma mistura de sentimentos contraditórios apoderam-se da bela guerreira, todavia nunca colocando em causa a sua missão.
O seu percurso será doloroso, marcante, muitas vezes ingrato e outras tantas odioso, mas ela sabe que só assim conseguirá salvar os humanos do seu terrível desaparecimento.

Apesar de estar inserido na colecção Via Láctea, 'O Regresso dos Deuses - Rebelião' não é tanto um livro de fantasia enquadrado nos padrões habituais, contendo sim elementos sobrenaturais que lhe dão um toque mais místico.
Outro ponto de ruptura com o fantástico a que estamos habituados, é a caracterização da personagem principal. Ao invés de termos a parte feminina mais fraca em que existe uma masculina claramente dominante que tem como função proteger a mulher frágil, aqui temos uma protagonista em que ela é que está despida de qualquer fraqueza aparente tendo uma personalidade extremamente forte, um carácter determinado e um punho de ferro. Calédra Denaris é sem dúvida uma personagem enigmática, obscura e ao mesmo tempo fascinante na sua frieza em relação ao que a rodeia.
Há também um grupo de personagens, como Advark, Garleana, Marávia e Cartina, nenhuma delas simples, mas que se mantiveram ao lado de Calédra até ao fim, cada um percorrendo a sua própria demanda pessoal.

Sou sincera, apesar de ter gostado mais dos Goor, acho que temos aqui uma obra de um autor português de grande qualidade, que foge de forma determinada ao esterótipo da donzela em perigo que vai ser salva pelo guerreiro forte e musculado. É uma obra quase desprovida de romance pitoresco, indo muito mais além na abordagem ao íntimo do ser humano revendo valores, pondo em causa o que está certo ou errado sendo claro que tudo acaba por depender de uma certa subjectividade do sujeito que interpreta os factos.

Por fim, dou os parabéns ao Pedro Ventura por nunca desistir e finalmente conseguir ter uma obra sua ao dispor de todos e à Editorial Presença por ter apostado num autor cheio de potencial. Gostei.

Volluspa no SCIFIWORLD

11.04.12

 

 

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Vollüspa - Nova Fantasia

06.04.12

 

 

 

Calificación: 
Antoloxía por Roberto Mendes
Hugo Mota Editora, 2012

Vollüspa é unha escolma de contos portugueses de xénero fantástico publicada recentemente pola Hugo Mota Editora e na que se dan cita da man do seu antoloxista, Roberto Mendes, histórias novas e vellas, autores novos e veteráns, das tres principais pólas do xénero fantástico: a ficción científica, o terror e mais a fantasía.

Se a ciéncia-ficción é definida decote coma a descrición do presente en termos de futuro, neste tomo atopamos outras aproximacións non menos interesantes, coma a fría descrición dun nadal no futuro mais comercial (Natal, de Carlos Silva) ou o futuro coma froito de conspiracións provintes do noso pasado (Eternidade, de João Ventura). E tamén a imaxinária descrición do universo por un lendário autor medieval, sen dúbida menos interesante cá do universo real, pero así e todo moito mais humana (O pequeno guía do ceu de Tristán de Sapincourt, porAfonso Cruz).

Mais preto da definición tradicional de ciéncia-ficción está a visión do futuro da nosa democrácia grazas ao avance da tecnoloxía (curioso que lin desta ideia por primeira vez aló polos anos 70, e xa daquela soaba moito menos fantástica que agora) descrita en A queda de Roma, antes da telenovela por Luís Filipe Silva. E asemade a redefinición da nosa história seguindo as convicións frías, científicas e positrónicas dunha raza de computadores… que aínda fala en termos relixiosos (Génesis, Apocalipse, de Roberto Mendes).

O terror é ese xénero sempre en decadéncia, lastrado pola súa pesada carga de goticismo que impide que recoñezamos os esforzos dos escritores por achega-lo á idade contemporánea. É o esforzo de José Manuel Morais en A vida é um sonho, da man dun psiquiatra demasiado vencellado aos pesadelos dos seus pacientes. Ou o da nova versión das lendas ruráis misturada co cinema mais actual dos serial killers que nos oferece José Pedro Lopes en O mal do noso rio.

E por fin, a fantasía, que grazas ao cinema e mais á literatura está a rexurdir nas últimas décadas coma o derradeiro verdadeiro reduto da expresión do xénero. E aquí sempre hai tempo para ver novas versións e voltas de rosca, mesmo con comezos clásicos coma os da herdanza que describe Álvaro de Sousa Holstein en A máquina, para min o conto mais refrescante e redondo dos que compoñen este libro. Pero tamén vemos a renovación do xénero no romanticismo de castelos e princesas de Disney (ou era de Tim Burton?) que tocan o piano grazas a Carina Portugal (O acorde das almas).

Pola súa banda, Carla Ribeiro amósa-nos cales poden ser as delicadas fronteiras entre fantasía e terror na fatalista A queda, e Joel Puga en O último albisca cal pode ser o destino dun vampiro perante o final dos tempos. Son outros xeitos de aproximación ao fantástico, que oferece posibilidades variadas, ás veces dirixidas a un público mais específico, se cadra os nenos que coma o Luís protagonizan A sala de Marcelina Gama en loita cunha bóla de pelo verde que escapa dos contos. Por non falar do mundo límite de completa loucura que describeNuno Gonçalo en Enquanto dormias, mais o que é a fantasía senón outra forma de loucura?

E así chegamos ao fantástico de Pedro Ventura, que desta volta en Uma questião de lugar esquece o clasicismo da épica e léva-nos a un conto moderno que ben podería pasar por guión cinematográfico de televisión dos anos 50 para adolescentes tipo Twilight Zone (pero iso si, dirixido por M. Night Shyalaman). O libro remata con outro conto que nos convida a relembrar a fantasía que forma parte da nosa actualidade, as creacións dos pastores da idade de bronce que aínda guían a vida de moita xente no mundo en Vermelho de Regina Catarino.

Vollüspa é ao cabo unha boa nova sen dúbida para a literatura en xeral, que precisa de que a fantasía lle forneza da irrealidade que todos procuramos cando decidimos mergullar-nos nas páxinas dun libro.

 

 

GOOR IS BACK *

30.03.12

Antevisão do projecto de capa (sujeito a alterações)

 

 

 

“Lembro que cando rematei de lér a segunda novela de Pedro Ventura (Goor II – A Crónica de Feaglar, aló polo 2007) puiden dicir sen temor ao ridículo que viña de rematar a millor novela de xénero fantástico da miña vida. Aquela novela era o cabo a unha história de coraxe, aventuras e humanidade que tan só facían desexar lér mais e mais (…)”

in Nova Fantasia

 

 

* provavelmente em meados de Maio.

Goor is Back!*

21.03.12

Antevisão do projecto de capa (sujeito a alterações)

 

 

 

“Lembro que cando rematei de lér a segunda novela de Pedro Ventura (Goor II – A Crónica de Feaglar, aló polo 2007) puiden dicir sen temor ao ridículo que viña de rematar a millor novela de xénero fantástico da miña vida. Aquela novela era o cabo a unha história de coraxe, aventuras e humanidade que tan só facían desexar lér mais e mais (…)”

in Nova Fantasia

 

 

* provavelmente em meados de Maio.

 

 

Goor is back!

16.03.12

 Devido aos muitos pedidos para adquirir estes livro que, desde 2007/2008 estão esgotados, está a ser equacionada uma reedição dos mesmos em 2012 sob uma chancela diferente.

  Essa possível reedição terá em conta dois princípios:

 

  •   Conseguir um preço de capa acessível (abaixo dos 20 euros da 1ª edição - que julgo ser demasiado para os dias que correm);
  •   Permitir que os "Goor" possam chagar ao Brasil por livro e/ou ebook.
"Regresso a Goor, mundo fantástico capaz de fazer corar o Senhor dos Anéis!"
in Correio da Manhã

Vollüspa - Antologia de Contos de Literatura Fantástica

14.03.12

 

A ideia é simples: juntar alguns dos melhores autores portugueses de literatura fantástica com vozes mais desconhecidas, mas não menos importantes, e dar a conhecer os seus trabalhos de ficção curta. O objectivo é claro: ajudar a alcançar uma revitalização no género da Ficção Científica e do Fantástico! A literatura fantástica precisa destes projectos. É necessário dar a conhecer novos mundos, bem como oferecer uma nova base de trabalho para os autores, onde possam desenvolver a sua paixão. 

Os três grandes géneros da literatura fantástica estão representados neste volume: a Ficção Científica, com textos de Afonso Cruz, João Ventura, Luís Filipe Silva, Carlos Silva e também com um texto da autoria do coordenador, Roberto Mendes. É notória uma aproximação ao Terror e ao Realismo Mágico nos textos de José Pedro Lopes e de José Manuel Morais. A fantasia de Joel Puga, Carla Ribeiro, Álvaro de Sousa Holstein, Regina Catarino, Marcelina Gama Leandro, Nuno Gonçalo Poças, Carina Portugal e o conto de Pedro Ventura, que recupera o ambiente de Rod Serling, oferecendo ao leitor uma viagem no universo típico de Twilight Zone, completam o ciclo desta primeira Vollüspa. O leitor pode deambular entre a história de um último vampiro, receber os recados de máquinas que escrevem sozinhas, conhecer raças alienígenas que dominam os humanos num futuro distante, assistir à queda de Roma, ouvir os acordes de uma música que toca as almas de uma forma muito especial, ser levado ao limite pela figura mítica da morte, viajar pelos céus descobrindo os seus segredos e celebrar um natal artificial, onde tudo imita o verdadeiro, sempre com a devida patente registada...

 

Para aqueles que já não conseguem esperar mais, podem carregar aqui!

 

 

 

 

 

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A antologia custa 13€.


Vai submeter-se ou aderir à Rebelião?

12.03.12

 

"Diferente. Ambicioso. Eloquente, O Regresso dos Deuses – Rebelião é o tipo de livro que qualquer aficionado por fantasia épica deveria experimentar. Lá por ser português não é motivo para se passar ao lado ou para se julgar sinónimo de pouca qualidade, muito pelo contrário. Tratando-se de uma obra nacional, é de enfatizar a importância para o reportório português que obras deste carácter têm. Caso a sinopse lhe tenha surtido interesse, aventure-se; caso não, aventure-se de igual forma. Valerá a pena."

 

in Pedacinho Literário

 

 

 

 

 

"uma obra de um autor português de grande qualidade, que foge de forma determinada ao esterótipo da donzela em perigo que vai ser salva pelo guerreiro forte e musculado. É uma obra quase desprovida de romance pitoresco, indo muito mais além na abordagem ao íntimo do ser humano revendo valores, pondo em causa o que está certo ou errado sendo claro que tudo acaba por depender de uma certa subjectividade do sujeito que interpreta os factos."
Sofia Teixeira - Blog Morrighan

O Verdadeiro Viajante no Tempo

06.03.12

                                         

 

 

 

 

 

Subitamente, dei por mim em lugares conhecidos, visitados em tempos idos. Sim, aquilo era sem dúvida o passado. Mesmo sem ser a preto e branco, o passado revisitado parece sempre ter uma tonalidade diferente, matizes irreais que talvez se tenham extinguido ou mesmo nunca existido. Mas o que é isto, afinal? Será isto um sonho? Só pode…

Lá estava eu, percorrendo novamente o extenso corredor da velha e orgulhosa casa de família, derradeiro reflexo de uma sumptuosidade já esbatida, mas sempre de queixo erguido. A luz entrava através das bandeiras das portas em longos focos, onde as agitadas partículas de pó pareciam bailarinas vindas de um outro mundo. Bailarinas?... Será um exagero da minha mente? Talvez… Sei que agora seria de bom tom referir-me aos verdes campos, de suados e infindáveis trabalhos agrícolas, às velhinhas de amargurado e saudoso negro, aos omnipresentes animais e a toda a panóplia de sons, cores e sabores de uma qualquer aldeia portuguesa. Seria, mas não o irei fazer… Não é para isso que aqui estou. Sinto-o! Subitamente sou trespassado pela versão jovem de mim próprio, lá pela casa dos catorze anos. Sim, eu quando era rapaz! Estranho… Ele pára, roda a velha maçaneta de vidro verde e latão e fecha-se numa das divisões da casa. Sozinho. Bem, eu segui-o, mas como somos o mesmo, julgo poder afirmar que estava realmente sozinho…

Ali estava a grande mesa de madeira, sempre majestosa e impondo-se de forma arrogante, apesar de eu saber como era trémulo o pesado tampo, ao qual sempre faltara a devida manutenção. Sobre ela repousava o jarrão de loiça tradicional que eu sempre considerara terrivelmente feio, apesar de eu naquela época viver numa década bastante flamboyant… Do lado esquerdo da mesa, o cadeirão de dois lugares de aspecto frágil, com as molas já a surgirem através do coçado veludo, parecendo que o conjunto se iria desmembrar espalhafatosamente a qualquer momento, numa cena ao jeito dos looney toons. Ao lado, um móvel sempre fechado à chave, sobre o qual repousava um grande rádio Telefunken Gavotte, uma verdadeira obra de arte nascida em tempos menos uniformizados. Eu gostava tanto de o ligar para contemplar a sua impressionante iluminação, para ver uma das suas válvulas ganhar lentamente vida, até se tornar um flamejante círio de cor verde, indicando que o aparelho estava “quente” e pronto a funcionar. Mas a verdade é que eu necessitava do seu nítido e vibrante som. O sequioso desejo de música era quase uma espécie de dependência que me dominava em determinadas altura, como se as minhas emoções precisassem obrigatoriamente de uma banda sonora que as espicaçasse até aos limites do razoável. O meu novato eu rodou cuidadosamente o botão até capturar uma das poucas estações existentes e, depois de uma rápida degustação, torceu o nariz e procurou melhor. Por vezes era tão difícil como conseguir um treze no totobola… Alto! Ali! Endless Road dos Time Bandits! Perfeito para qualquer martírio ou rasgo de felicidade! I dont want you to go my love! Pronto, estava tudo dito!Sentença promulgada…

Acertada a sintonização, virei-me com ele para o outro lado da sala e encarei com o seu objectivo! Ah… Pois… Uma antiga secretária embutida num conjunto de estantes que cobriam toda aquela parede. Haviam ali centenas de livros de várias épocas, alguns já degustados pelos incultos bichos do papel, essa raça perversa e covarde. Mas a criminosa bicharada era um pensamento pouco importante para o meu jovem reflexo. O que ele realmente procurava era bem superior a todas essas valiosas velharias. Sem perder mais tempo, abriu uma das gavetas e os seus dedos mergulharam por entre o mar de enferrujadas canetas de aparo, amarelecidos recibos, patéticos postais, dinheiro fora de circulação, cartas, fotografias e muitas outras coisas banais. Lá estava a fotografia, escondida por vergonha, mas nunca esquecida. Lá estava ela! Os longos cabelos negros, de tal maneira sedosos e brilhantes, que nunca encontrei as palavras capazes de os descrever. Aqueles vívidos olhos castanhos, expressivos, ternos e únicos… A sua nívea pele tão delicada… E aquele sorriso? Ugh… Aquele sorriso deu-me vida e aqueles lábios deram-me razão para viver. Ela era a soma de todos os meus sonhos e esse resultado ainda conseguia exceder tudo aquilo que a minha imaginação idealizara. Aquilo era amor, paixão, fé, devoção… Sempre em crescendo! Aquilo era só o princípio. Acho que só os infelizes como eu, caso os haja, perceberão o que aconteceu durante aqueles anos… Não! Estou certo que ninguém perceberá…

Ali estava ela em todo o seu esplendor, contrastando com a pardacenta tristeza de todos os outros objectos que nos rodeavam. A sua imagem parecia irradiar luz! Luz! Luz própria! Susana… Única estrela do firmamento, em torno da qual eu orbitava de forma estonteante e me fazia esquecer o negro interminável vazio da solidão. Que saudades aquele eu juvenil tinha dela! Sentia-o dolorosamente até às entranhas. A sério! Malditas férias escolares que eu outrora venerara como obra de uma divindade benevolente e atenta, mas que agora me pareciam um arrastado martírio, tormento arquitectado por um ser maléfico, talvez malvadez do próprio feiticeiro Frestão. Mas tudo muda… Se muda! Lá estava a sua imagem, ainda incontaminada por tudo aquilo que o futuro me revelaria lá mais para a frente. Naquele momento, o meu olhar parecia incapaz de se desviar, sob pena de imediata e fulminante cegueira… Que ingenuidade! Que doce ingenuidade… Mais tarde iria odiar-me por a amar tanto mas, naquela altura, ainda não havia tal veneno a correr pelas minhas veias, a tolher-me, a fazer-me definhar e duvidar de tudo o que tivera por certo... Ou seria aquele o verdadeiro veneno? Senti o desespero apoderar-se de mim, vergar-me através de memórias dolorosas, enfiadas nas profundezas da minha mente, mas nunca esquecidas. Tive então uma genial ideia estúpida… Já que eu estava ali como um ente diferente de mim próprio, talvez pudesse avisar-me, acautelar o porvir de certa forma. Sei lá... Pode parecer estranho, mas gritei para mim próprio:

Acorda, rapaz! Tu vais perdê-la! A vida irá separar-vos! Julgas que podes vencer as circunstâncias, rapazola?! Não podes! Não te apegues tanto, palerma! Vais sofrer! Vais sofrer como um… Caramba…

Não adiantou. Não me escutei. Naquela altura não escutava ninguém, porque razão me iria escutar a mim próprio em versão sensata? Raios! E se isto não for um sonho? Parece demasiado real para ser um sonho. Aliás, durante os sonhos, ninguém tem consciência de estar a sonhar! Será um episódio maravilhoso e singular?... Uma oportunidade… Poderia poupar-me a tanto sofrimento. Aqueles sentimentos iriam ganhar raízes mais profundas durante alguns anos para depois sofrer um golpe devastador. Uma machadada impiedosa e irreversível… Uma separação indesejada por ambos. Seria a dor da separação, a impotência por não ter podido fazer nada para a contrariar e um certo azedume por achar que ela devia ter feito o que eu não pude ou não consegui fazer. Porque é que ela não ficou? Porquê?! Centenas de planos loucos para fugirmos e escaparmos a esse destino e nem um se materializou… Nem um! Fomos debelados sem esboçar uma miserável reacção… Uma vergonhosa rendição aos pés do destino! Era suposto não existir nada em todo o universo capaz de nos separar… Nem mesmo aquele inesperado blitzkrieg de malditas circunstâncias… Onde estava a nossa força?! Onde?! Meu Deus… O certo é que ela partiu e eu fiquei. Ela entrou com os pais naquele monstro de lata voador e eu fiquei em terra, com a cabeça encostada a um vidro, esmurrando a parede até o sangue dos nós dos dedos a tingir, talvez até tenha chorado... Oh! Claro que chorei! Mas apenas a vi de longe. Não tive coragem para me despedir, não tive coragem para enfrentar a realidade nos olhos. Ficar… Ainda hoje essa verbo me perturba, me causa náuseas, em todas os seus tempos e formas… Não devia?! Pois não! As tontas paixonetas juvenis não merecem tanto! São vulgares coisas de miúdos que uma gargalhada adulta e séria apaga com a eficácia de uma esponja! Hahaha! Hum… Será? Não… É claro que não! Mas porque raio ficamos tão obtusos com o passar dos anos? Porque temos tanta vergonha dos tempos em que éramos genuínos? Estará a hipocrisia adstrita ao triste processo de envelhecer? Será assim tão importante para a nossa eficiência adulta sermos uns idiotas chapados? Tonta paixoneta?... Ugh! Então porque não foi também a dor tonta e transformada em infantil diminutivo? Porque sinto ainda um aperto no peito quando recordo esse momento? Eu bem tentei esquecer e quase consegui… Na minha vida real, digamos assim, tive sucesso mas, por vezes, recordo tudo com uma nitidez assombrosa, tal foi a força do cinzel desse sofrimento... Voltei a sucumbir ao desespero. Apetecia-me ajoelhar-me a meu lado e gritar aos meus juvenis ouvidos:

Deixa-a enquanto podes! Estás a ouvir?! Há outras raparigas! Isto vai-te marcar como um ferro em brasa, puto! Pensas que não? Pensas que a vida tem sempre finais felizes como na porcaria de filmes que vês?! Ouve… Eu sei que a amas, mas tens de a deixar agora! Esquece-a! Poupa-me… Poupa-te a tudo o que virá… Ouviste?!

A minha forma jovem voltou a ignorar-me. Pior! Abanou negativamente a cabeça como se negasse os meus apelos. Quis olhar-me de frente! Olhar o rosto daquele rapazola teimoso que ignorava os bons conselhos. Parvalhão! Apeteceu-me gritar-lhe com redobrado vigor! Porém, não o fiz… Havia um sorriso naquele rosto que era meu. Um sorriso tão largo e genuíno, que parecia contaminar o que o rodeava. Onde ia eu buscar tanta felicidade?

 

Time can only whisper truth for both of us

All the answers I can't find, I put my trust”

 

Simples… Muito simples, até. Eu amava e era amado. Tão simples como esta frase, tão simples como a letra da música. Não há explicação racional. Nem tem de haver! Que se lixe! E se alguém, algum dia a procurar… Para o diabo com ele!

 

And I want you to have my soul

Somebody show me the way”

 

Por vezes… Talvez as coisas tenham de ser assim. Talvez todas aquelas centenas de dias de felicidade superassem o sofrimento final, apesar de, infelizmente, este sempre parecer mais vívido na mente de quem já soube o que é sofrer. Sim, foi apenas por algum tempo… Mas durante esses anos soube o que era amor, felicidade… Como poderia arriscar tudo isso só para me poupar ao preço que tive de pagar por esses maravilhosos momentos? Senti vergonha do meu eu adulto. Uma terrível vergonha, uma profunda náusea…

Desculpa, miúdo… Esquece o que disse antes. Aproveita estes dias que tens pela frente, pois serão estupendos. Ama-a com todas as tuas forças, rapaz! É tudo o que deves fazer! Não te preocupes com o futuro. Ainda está distante… Talvez… Tenho orgulho em ti, orgulho no que eu era. Nunca deixes que eu pense o contrário…”

O sorriso do meu jovem alter ego tornou-se ainda mais largo. Teria escutado?...

 

Abri lentamente os olhos e demorei algum tempo a perceber onde estava. Estava no meu solitário quarto, na minha cama. Afinal, tudo não tinha passado de um sonho… Olhei para os infernais dígitos do despertador e constatei que faltava um minuto para também ele despertar… Menos! Na passagem de um minuto, o rádio ligou-se e o quarto foi inundado por uma melodia que reconheci de imediato e me fez sorrir…

 

It's an endless road till love finally comes our way

my love

 

Talvez… Talvez aquilo a chamamos dias seja apenas um repetir de oportunidades em contagem decrescente. São milhares numa vida! Eu apenas desejo mais uma e já desperdicei demasiadas…

 

Pedro Ventura (publicado na colectânea Páginas Lentas 3)

 


Goor - A Crónica de Feaglar

28.02.12

  Devido aos muitos pedidos para adquirir estes livro que, desde 2007/2008 estão esgotados, está a ser equacionada uma reedição dos mesmos em 2012 sob uma chancela diferente.

  Essa possível reedição terá em conta dois princípios:

 

  •   Conseguir um preço de capa acessível (abaixo dos 20 euros da 1ª edição - que julgo ser demasiado para os dias que correm);
  •   Permitir que os "Goor" possam chagar ao Brasil por livro e/ou ebook.
"Regresso a Goor, mundo fantástico capaz de fazer corar o Senhor dos Anéis!"
in Correio da Manhã

Regresso dos Deuses - A Rebelião continua em 2012

28.01.12

 

 

Diferente. Ambicioso. Eloquente, O Regresso dos Deuses – Rebelião é o tipo de livro que qualquer aficionado por fantasia épica deveria experimentar. Lá por ser português não é motivo para se passar ao lado ou para se julgar sinónimo de pouca qualidade, muito pelo contrário. Tratando-se de uma obra nacional, é de enfatizar a importância para o reportório português que obras deste carácter têm. Caso a sinopse lhe tenha surtido interesse, aventure-se; caso não, aventure-se de igual forma. Valerá a pena. 


Pedacinho Literário

 

 

 

À venda nas principais livrarias e online nos seguintes sites:

 

 

 

 

 

 

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