Tenho acompanhado as mais recentes discussões ligadas ao Fantástico e constato com alguma tristeza que continua a imperar o constante clima de "estafada e bolorenta guerra civil". A maior parte das vezes nem entendo muito bem os fundamentos de tais sarrabulhos que levam a uma verborreia que evoca o rasteiro nível de uma discussão futebolística numa qualquer betesga … Não percebo nem quero perceber...  Guerras entre editoras? Confrontos entre egos desmesurados? Choques de visões fundamentalistas? Mesquinhez exacerbada na defesa de determinadas visões e conveniências? Não me interessa... Já lá vai o tempo em que me irritava. Todas essas tretas não passam de notas de rodapé do que realmente é importante. Além do mais, tenho outras coisas em que pensar — talvez seja isso que falta a muita gente…

     No entanto, vistas do exterior, essas querelas causam muito má impressão e afastam as pessoas (os leitores) de um mundo que vai agonizando e mantendo uma imagem de “feudozinho” odioso, controlado por raivosas facções fortemente entrincheiradas nos seus elevados dogmas. Enquanto esta situação prevalecer, o Fantástico nunca sairá da pequenez que actualmente o caracteriza. Quem sai a ganhar com esta situação? Todos aqueles que pretendem inferiorizar e eclipsar o Fantástico!

      Felizmente, há excepções, pessoas que tentam pacificar o meio mas, curiosamente, é o ruído dos beligerantes que acaba sempre por imperar.

      O que os leitores e entusiastas do Fantástico desejam são lugares onde possam partilhar e discutir (de forma civilizada e genuína) o prazer que advém das suas leituras, sem serem constantemente acossados por mastins da facção A ou B, sempre sedentos de sangue, sempre desejosos de humilhar aqueles cujos gostos são diferentes dos seus.   

      A crítica construtiva será sempre fundamental, mas não pode ser a camuflagem de distorcidos anseios em moldar gostos, nem a serventia de determinados interesses.

     Acho que já é altura de deixarmos de lado os agigantados egos (totalmente desfasados da realidade) e começarmos a pensar nos outros, naqueles que são razão da nossa existência e que deviam ser recebidos de braços abertos.     

      Somos dos que mais clamam por respeito dentro da Literatura. Mas o respeito não cai do céu, conquista-se…

publicado por sá morais às 10:58