Vi-te de longe no escuro,
Onde já não te esperava encontrar.
Não era a noite, nem era o sono.
Nem falta de alma para te procurar.

Fui-me chegando mais perto.
Devagarinho para não pisar,
O coração... talvez o meu...
Bata tão forte para te avisar.

Há tantas vidas sigo o cheiro,
Que me deixaste preso às mãos,
E me sufoca ao meio da noite
Numa boa maldição,

Há quantas vidas que eu desejo
Ter mais coragem que paixão,
E confessar tudo o que o tempo
Me guardou no coração.

Não era falta de fé ou...
Confiança para me revelar,
Era só medo que as tuas águas,
Fossem tão fundas que perdesse o pé.

Já me perdi no passado,
Por insistir em querer adivinhar.
O que pensavas, que não abrias,
Nenhuma porta para eu entrar.

Talvez mate o destino de uma vez,
se um beijo escorregar mesmo à traição

Quem sabe, se no escuro a luz se acende
e então...
darás por todos os recados que mandei.

 

 

publicado por sá morais às 22:27