O gosto pelo fantástico e pelo imaginário vem-lhe de criança. Já nessa altura construía a suas próprias realidades paralelas. Vê a leitura como um “exercício de prazer pessoal”. Apenas lê os livros de que gosta. E foi sempre assim, na escola poucos foram os livros “obrigatórios” que leu. A

sua outra grande influência foi a vertente fantástica da cultura televisiva e cinematográfica dos anos 80. Ainda hoje cultiva esse gosto que vai de Júlio Verne a Rod Serling. Diz-se um privilegiado porque sempre teve ao seu alcance obras literárias dos mais diversos géneros, além disso, cresceu nos anos 80 que, para Pedro, tiveram uma “magia muito especial” pois “descarregaram em toda uma geração, um caleidoscópio de novas emoções,ideias e hipóteses” potenciando-lhe, assim, a fantasia e o sonho. Editou, recentemente, o segundo volume da sua obra “Goor – A crónica de Feaglar”, cujo primeiro volume foi editado em 2006. Tudo começou em 14 de Agosto de 1974, dia do seu nascimento na terra natal de seu pai, o Montijo, onde viveu até aos quinze anos. Mudou-se, então, para a terra de sua mãe, S. Pedro do Sul, e aí conclui o secundário. Em 96 vai para Viseu e inscreve-se no curso de Estudos Portugueses e Ingleses da Faculdade de Letras da Universidade Católica Portuguesa. Após a licenciatura, é nessa idade que fixa residência. Diz-nos que, estas mudanças de residência e as

suas consequentes mudanças de ambiente, apesar de um lado negativo, permitiram-lhe alargar os seus horizontes. Goor sempre esteve presente no imaginário de Pedro Ventura, mas só em 96 começou a ganhar a forma. Passar para o papel todas as estórias e ideias que povoavam a sua mente não foi tarefa fácil.

Retratos

A edição do primeiro volume, despertou o interesse da imprensa especializada, tendo sido alvo de referência no Notícias de Viseu, no Jornal de Letras e no Diário de Notícias e em diversos blogues e sites literários; nesse ano, foi orador convidado do Fórum Fantástico, um evento nacional sobre aquele género literário, que decorreu no Parque das Nações; e

em Fevereiro deste ano, foi entrevistado para o programa “Entre Nós” da Universidade Aberta que passa na RTP e, em Setembro, Goor foi de novo referido no programa; em Junho, foi uma das escolhas de Marcelo Rebelo de Sousa.

Este romance de aventuras épicas “adocicado com o toque mágico da fantasia” merece, sem dúvida, a nossa atenção. Valores como a amizade e a liberdade, tão essenciais à nossa condição humana, estão aqui sempre presentes,,,

 

Goor:

a crónica de Feaglar / Pedro Ventura

Papiro Editora, 2 vol.s

Goor relata as aventuras de um jovem rei e dos seus companheiros, num mundo em mudança, onde o futuro é algo incerto. Está em causa o valor intrínseco do Homem e a sua determinação em sobreviver. Este é um universo à parte da nossa realidade (ou talvez não), onde coabitam diversos povos com as suas características e identidades. Sobre esse mundo paira uma antiga profecia e, as sombras de um terrível poder que se irá revelando entre uma teia de segredos e mentiras vindas de um passado obscuro.

Engana-se quem espera encontrar aqui o arquétipo da literatura fantástica. Não há lugar para elfos, gnomos ou anões e, até os poderes sobrenaturais são apenas ferramentas submetidas a uma vontade. Mas, não dispensa os ingredientes próprios deste género literário. Aqui, o maior de todos os poderes é a vontade humana e a sua capacidade para o

pior e para o melhor: o Bem e o Mal não são estanques. As personagens, heróis ou vilões, são sempre seres humanos dotados das mesmas virtudes e defeitos de todos nós. Talvez

seja por isso que os leitores, facilmente, se identificam com esta ou aquela personagens ou, com este ou aquele acontecimento...

 

 

Ana Reis Silva

 

( Texto integral )