Um dos microrganismos que os cientistas da Universidade de Sheffield dizem ser oriundo do espaço.
Um dos microrganismos que os cientistas da Universidade de Sheffield dizem ser oriundo do espaço.
Universidade de Sheffield

Uma equipa de cientistas do Departamento de Biologia Molecular e Biotecnologia da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, encontrou uma série de microrganismos na estratosfera da Terra a uma altitude de 27 km, o que significa que podem ter origem extraterrestre.

Na estratosfera - uma camada da atmosfera que fica entre os 10-13 km e os 50 km - existe um autêntico ecossistema constituído por uma grande diversidade de organismos microscópicos, mas os agora encontrados por um balão que foi enviado pela universidade "têm uma dimensão que torna impossível a sua proveniência da Terra a esta altitude", afirma Milton Wainwright, o cientista que liderou a descoberta.

A única exceção conhecida acontece "quando esses microrganismos são transportados por uma erupção vulcânica violenta", mas nenhuma aconteceu nos três anos em que foram recolhidas amostras da estratosfera pelo balão.

Vida chega continuamente à Terra

 

O professor da Universidade de Sheffield acrescenta que "na ausência de um mecanismo através do qual partículas como estas possam ser transportadas para a estratosfera, só podemos concluir que são entidades biológicas provenientes do espaço".

A equipa de investigadores britânica concluiu também que "a vida está a chegar continuamente à Terra vinda do espaço, não está restrita ao nosso planeta e quase de certeza que não foi originada na Terra".

Milton Wainwright argumenta, por isso, que os resultados desta investigação podem ser revolucionários porque, "se a vida está a chegar continuamente do espaço, temos de mudar completamente a nossa visão da biologia e da evolução".

A descoberta da equipa liderada por este investigador foi publicada no Journal of Cosmology, revista que "foi acusada no passado de publicar teorias marginais de credibilidade científica questionável", recorda o conhecido jornal online "Huffington Post".

Em todo o caso, a revista é editada por Rudolf Schild, diretor do programa de telescópios do insuspeito Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian (EUA), e o seu conselho editorial inclui nomes como Roger Penrose, astrofísico da Universidade de Oxford (Reino Unido) e um dos maiores especialistas de cosmologia do mundo.

 

 

Novos testes em Outubro

 

De qualquer maneira, o grupo de Wainwright vai fazer novos testes em outubro às amostras recolhidas pelo balão científico na estratosfera para confirmar os resultados da investigação agora feita.

O professor admite, aliás, que "seja usado o argumento de que pode existir um mecanismo ainda desconhecido de transferência de microrganismos da Terra para a alta estratosfera".   

Entretanto, a NASA revelou que o robô Curiosity não encontrou metano na atmosfera de Marte, o que surpreendeu os cientistas, porque as observações feitas antes por telescópios a partir da Terra e por sondas espaciais criaram expectativas de que pudessem ser encontradas quantidades apreciáveis deste gás.

Como sublinha um artigo publicado na revista Science pela equipa de investigadores que analisou os dados da Curiosity, "a presença de metano na atmosfera marciana é uma assinatura potencial de atividade biológica no presente ou no passado", ou seja, da presença de vida.



In Expresso

publicado por sá morais às 10:59