GOOR A CRÒNICA DE FEAGLAR; VOLUME 1.

 

 

FANTASIA

 

"Goor a Crónica de Feaglar é uma fantasia épica e pode ser considerado um livro de fantasia porque, de facto, tem o tal mundo secundário, com leis próprias e no qual temos de acreditar para estar dentro dele, como nos disse um grande senhor chamado John Ronald.

 

Temos os tais elementos imaginários, inverosímeis, a tal casualidade de carácter mágico que liga toda a narrativa.

 

No entanto, essa fantasia não surge sob a forma de gnomos, elfos, anões ou magos ( esses velhos amigos por quem tenho muito respeito… ), nem a procurei colocar tão longe da realidade dos Homens.

 

Goor tenta também descobrir o maravilhoso na essência do ser humano e em questões fundamentais que eu diria serem paralelas às nossas.

 

Este é também um livro de valores humanos e sobre o valor intrínseco de cada um e da própria humanidade. Mas não é nem pretende ser um livro de moralidades, é antes aquilo que eu chamaria um livro de singularidades…

 

Singularidades que nos são próximas.

 

Aqui temos basicamente pessoas vulgares, como vocês ou eu, independentemente de serem reis, rainhas, camponeses ou de terem qualquer característica especial, na esfera daquilo que é fantástico, sobrenatural.

 

Pois eu acredito que a própria existência do Homem, a sua singularidade como forma de vida, a sua vontade, a sua curiosidade, o seu lado esotérico e oculto, podem já ser algo extraordinário.

 

E no mundo de Goor isso também acontece...

 

 

ÉPICO

 

Esta é também uma narrativa épica porque já a partir deste primeiro volume temos acontecimentos conflituosos, naquilo que é o início de uma demanda que poucas vezes será pacífica, especialmente no segundo livro.

 

 Mas mesmo neste primeiro, não faltarão batalhas, escaramuças e duelos individuais, no caminho das personagens.

 

E eu prometo que elas irão dar muito e bom uso às suas espadas…

 

E quando digo elas, não estou a usar o feminino apenas para me referir às personagens no geral… Quem ler o livro, cedo descobrirá que as mulheres vão ser ossos duros de roer, que em nada ficam atrás dos colegas masculinos…

 

Bem, pelo contrário…

 

E sinceramente, nestas batalhas e lutas tentei dar o meu melhor, não só por gostar pessoalmente desses momentos de acção, mas também por saber como é difícil transmitir, sem recorrer ao visual, as ambiências, os sentimentos e o próprio ritmo que devem ter.

 

E todos sabemos como hoje ( na nossa actual sociedade ) o aspecto visual, cinematográfico é importante.

 

Tentei por isso criar condições para que seja mais fácil imaginar esses cenários e essas acções.

 

Espero ter conseguido, pois se não consegui vou ficar muito chateado comigo próprio…

   

ROMANCE 

 

Para além disto, o livro tem também romance no seu sentido mais sentimental e convencional.

 

As personagens estabelecem naturais relações entre si e com aquilo que as rodeia.

 

Estas não são personagens pétreas e intocáveis. Vão sentir paixões arrebatadoras, outras mais corriqueiras e passageiras, mas todas elas importantes.

 

E essas relações vão sendo cada vez mais complexas e reveladoras da sua complexidade individual.

 

È nesses momentos que o ritmo da história abranda, naquilo que poderão ser chamados de nichos de intimidade das personagens. Também eles reveladores das suas forças e fraquezas, dos seus sonhos, anseios e medos.

 

E não falo apenas das relações amorosas e das suas alegrias e desencantos. A amizade também não foi esquecida, nem o ódio, nem o desejo, nem a inveja…

 

Enfim, julgo que teria de haver esta carga emocional ao longo da obra, pois as emoções humanas ( como o amor e o ódio ) são um motor fundamental de qualquer história,  mesmo neste mundo incerto e imaginário.

 

  

HISTÓRIA

 

Relativamente à história, propriamente dita, ela inicia-se num mundo em mudança, numa época em que começam a surgir novos conflitos entre os vários reinos e povos. E é nesta altura que uma misteriosa princesa ( de seu nome Gar-Dena ) chega ao reino Dhorian para avisar o jovem rei Feaglar de uma ameaça bem mais terrível e obscura do que qualquer conflito convencional.

 

Começa-se aqui a desenrolar um novelo de mistérios que recuam até tempos antigos e esquecidos. Mistérios aos quais podíamos chamar mitos ou lendas, que nós, felizmente também temos…

 

A princípio o rei mostra-se céptico, mas os seus sentimentos, a sua curiosidade e o seu sentido de dever irão levá-lo a abraçar esta verdade e a desafiar este perigo.

 

A partir deste momento inicia-se a grande aventura… ou talvez a grande tragédia…

 

No mundo de Goor nada é certo e quem pensar que estas personagens ( e outras porque são muitas ) vão ter um passeio no parque, montados nos seus cavalos brancos, desengane-se…

 

E estas personagens não são heróis que enfrentam tudo de peito aberto e com um sorriso nos lábios. São pessoas vulgares ( como já referi ) com defeitos e virtudes, forçadas por acontecimentos, mas que realmente preferem partir a vergar… 

 

 

Mas em Goor a linha entre a vitória e a derrota é muito ténue. Posso até dizer que o conceito de vitória é enganador…

 

Enfim, não vale a pena estar a desvendar muito sobre este esta história ( até porque já estaria a adiantar-me demasiado )

 

 Este mundo de Goor está no livro para quem o quiser conhecer e conviver com as suas personagens e continuará num segundo volume.

 

Só posso desejar que tenham tanto prazer a lê-lo como eu tive a escrevê-lo para vocês ( e acreditem que foi um prazer de muitas e muitas horas )

 

Obrigado a todos."

 

*Retirado da palestra no Fórum Fantástico 2006