Outras Leituras - Nas Águas do Verso

29.09.08



 

  100 poemas de 100 autores... e uma delas é a minha colega de escritas - CARLA RIBEIRO

"Nas Águas do Verso é uma colectânea poética idealizada e coordenada por João Filipe Ferreira e Pedro Lopes. Nesta obra é possível encontrar textos poéticos de 100 autores tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo. Uma obra onde cada poeta expressa livremente as suas palavras, as suas emoções, visões e estados de espírito. Em Nas Águas do Verso o leitor poderá navegar calmamente na beleza da poesia e da prosa poética, sem nunca perder o rumo, sem nunca se afogar nas palavras. Com muito prazer, os autores oferecem-lhe esta obra que consideram ser tremendamente rica em poesia. Sejam bem-vindos ao barco poético e, uma vez nele, desfrutem da beleza das Águas do Verso."


 

Critica a Goor 2

23.09.08
 
" (...)mas de todos os livros que li durante o ano, sem duvida alguma “Goor - A Crónica de Feaglar 2“ foi o melhor do ano, melhor de todos, daquele tipo de livro que tenho sempre a mão para uma releitura, e posso indicar com toda confiança como sendo um livro completo."
in Realidade Torta - Brasil
 
"Este romance de aventuras épicas “adocicado com o toque mágico da fantasia” merece, sem dúvida, a nossa atenção. Valores como a amizade e a liberdade, tão essenciais à nossa condição humana, estão aqui sempre presentes."
in Montijo Agenda
 
"Regresso a Goor, mundo fantástico capaz de fazer corar o Senhor dos Anéis!"
in Correio da Manhã
 

"Por fin chegou ás nosas mans a segunda parte da Crónica de Feaglar. E se me pedides que vola resuma nunha frase, direi-vos que concordo que as segundas partes non son boas, neste caso, son mellores! (...) Eu pola miña banda só podo dicir que fico coa mesma sensación que cando acabo un bo libro ou unha película: qué magoa que xa acabase,  pero disfrutei tanto mentras... "

in Nova Fantasia ( Espanha )

 
Pontos de venda na Internet:
 
 
Os livros Goor - A Crónica de Feaglar I e II estão disponíveis na Biblioteca Municipal Central - Palácio Galveias 
 
e na DocBweb da CM de Coimbra

 

Outras Leituras - Admirável Mundo Novo

22.09.08

 

"ADMIRÁVEL MUNDO NOVO” de Aldous Huxley,1932:
Obra de ficção onde o autor descreve uma sociedade futurista que reflecte o seu desencanto com o mundo industrializado. Huxley, lança o alerta para a potencial ameaça que o progresso tecnológico representa para os direitos civis mais básicos dos indivíduos. Pensámos que nem mesmo Huxley, alguma vez previu que as profecias que imaginou em 1932 para o ano de 2500, começariam a realizar-se tão rapidamente. O mundo novo descrito por Huxley é um mundo sem valores humanos fundamentais, os indivíduos são criados em série e todos ocupam o lugar que lhes foi atribuído numa sociedade mecanizada. Em 1949, Huxley afirmava: “Na próxima geração, acho que os senhores do mundo descobrirão que o condicionamento infantil e as narcopsicoses são mais eficazes como instrumentos de governo do que os garrotes e os calabouços (...) e que a avidez de poder pode ser saciada tão cabalmente se através da indução, se conseguir que as pessoas amem a
sua escravidão...”

Tenho adiado a (re)leitura deste livro ( tal como de tantos outros... Cronos!! ) que aborda uma temática pela qual tenho grande interesse. O meu amor/ódio pela tecnologia, a meu receio de uma "uniformização" do ser humano, o controlo/concionamento das massas e o desparecimento dos valores essenciais, face a uma "mecanização" do mundo fazem-me sentir ganas de voltar a devorar esta obra de Huxley.

Explorando o universo de Goor - A Crónica de Feaglar

21.09.08

Os Dagarac ( condra )

Ao contrário da maioria dos reinos, que entregam essas funções aos exércitos regulares, os condra possuem uma força paramilitar de elite que persegue criminosos, actuando dentro e até mesmo fora das suas fronteiras. Os dagarac são essencialmente recrutados da Guarda Real Condra, mas também possuem alguns dhorians e nilmec ( estes últimos devido às suas singulares capacidade  mentais ) nas suas fileiras. Devido à grande diversidade étnica e existência de diversas tribos autónomas em constantes lutas pelo poder, o dagarc também actuam como salvaguarda da autoridade régia.

  Porém, no acontecimentos relatados em Goor I, os dagarac revelam-se incapazes de impedir a sucessão de acontecimentos ( alimentados pela traição de diversos senhores tribais ) que culminarão na morte do rei Fremedon e na consequente invasão do seu reino pelas forças de Calicíada, apesar do valor demonstrado em diversas ocasiões.

  Durante a ocupação darmenéria, os dagarac que não se submetem são cruelmente perseguidos e executados. Os poucos que sobrevivem à mortandade das batalhas e a essa posterior perseguição refugiam-se em reinos vizinhos, aguardando o momento certo para voltarem a lutar.

  Em Goor - A Crónica de Feaglar I é-nos apresentado Dardon, um valente guerreiro dagarac, que irá aliar-se a Feaglar para capturar o vil Racul. Levada a cabo essa acção, Dardon decide juntar-se ao rei dhorian e acompanhá-lo nas suas aventuras.

Toponímia de Goor - A Crónica de Feaglar

20.09.08

 

 

Montanhas de Goor - Cadeias de montanhas inexploradas a norte do reino Darmenério. Lugar proibido e temido pelos Homens. Será palco de aventuras de Feaglar e dos seus companheiros.

Em dhorianic ( língua padrão dos dhorians ) Goor tem o significado de tenebroso, assustador, proibido. No entanto, esta palavra não é utilizada no quotidiano, recorrendo-se ao sinónimo hagarun. A palavra goor existe com idêntico sentido ( e como referência geográfica ) na língua dos nilmec e na maioria dos dialectos condra. Os Líticos também a utilizam, nas pronunciam-na guur.

 

 

Celénia - Capital do reino Dhorian e morada dos monarcas até à construção de Nimelian, no reinado de Feaglar. Mas mesmo depois dessa mudança, a corte permanece nesta antiga cidade fortificada, cujas origens se perdem nos Tempos Antigos ( descrição generalista para o passdo mais distante ). A imponente muralha original foi derrubada pelo rei Dagnar, que pretendia alargar os muitos palácios no interior, incluindo o seu. Foi construída uma nova linha de muralhas, mas muitos militares sempre a consideraram inferior à original, apesar de alguns melhoramentos defensivos realizados ao longo do tempo. As principais edificações da cidade são imponentes e austeras, num estilo arquitectónico grandioso, mas rude. As ruas são estreitas, labirínticas e sombrias, ao contrário do que acontece na airosa e funcional Nimelian. Como em muitas outras cidades, o casario já extravasou para o exterior das muralhas, sendo aí que residem as classes mais baixas. Celénia é habitada por muita da nobreza dhorian mais tradicional, que se opõe de modo mais ou menos encoberto às reformas de Feaglar.

 

Divulgação

20.09.08

Devido ao meu envolvimento num projecto, do qual falarei quando achar ser a altura apropriada, decidi vir aqui divulgar dois projectos culturais:

 

GICAV ( VISEU )

 

Espíritos Inquietos ( S. Pedro do Sul )

 

com um especial abraço para o amigo Rui Madeira.

Resposta a leitora de Goor

10.09.08

 

 

 

Recebi à dias um mail de uma leitora de Goor - A Crónica de Feaglar ( obrigado pelo feedback ) com alguns reparos que julgo serem importantes e decidi responder aqui no bastião blogosférico:

 

1- "Existe uma diferença de ritmo entre o início de Goor I e Goor II"

 

   É verdade. Goor II é bem mais objectivo e "acelerado" enredo. No início ainda estava a "encaixar-me" na estória, a moldar-me a tudo aquilo que se desenrolava na minha cabeça. Foi difícil muito conciliar ideias e escrita. Só quando me "fundi" mais com aquele mundo de Goor e  aprendi a ser melhor "cronista" é que as coisas fluiram melhor. Devo ainda acrescentar que o início foi escrito de forma intermitente ( o que nunca é bom... ) e em espaços pouco... apropriados... como salas de aula da faculdade. Goor I é realmente um pouco mais "pesado", mas é essencial para o que vem a seguir. Eu não alteraria nada, talvez por já me ter apegado em demasia ao todo que é Goor.

 

2- "As personagens mais fortes são mulheres. Porquê?

 

   Bem, não vamos esquecer Feaglar, Thuron ou Sarraden... Mas não hajam dúvidas que Gar-Dena, Calédra e até mesmo Galana são os "motores" e muita da alma da estória. São forças indomáveis, poderosas e profundas. Não é por acaso que a minha personagem preferida acaba por ser a irreverente ( sim, é um eufemismo... ) Calédra. Mas porquê mulheres? Bem, porque não?! Para quê insistir na "velha fórmula" em que as mulheres são sempre as frágeis donzelas que aguardam o regresso dos heróis? Porque não perverter esse modelo? Porque não?...  

 

3 - " O que influenciou Goor? Eu esperava encontrar na linha dos livros de X e afinal (...)"

 

   Goor não se encaixa apenas na Fantasia e não segue o repetido modelo " magos, anões & elfos". Nada disso! Também é uma demanda ( aqui com importância relativa... ) e tem um toque de sobrenatural, mas acaba por ser um livro diferente. Fantasia Épica? Não sei... É diferente. Recordo que no início de Goor as personagens são cépticas a tudo o que ultrapasse a fasquia daquilo que é tido por "normal". Esta é uma sociedade com um ideário mitológico simples, num estádio "protocientífico", que nunca aceitaria "idosos de chapéus bicudos a agitarem varinhas mágicas". Em Goor os poderes sobrenaturais submetem-se à vontade das pessoas das quais emanam e têm uma explicação enublada e invulgar... Para mim, esta é uma "magia" bem mais poderosa - o poder intrínseco da essência humana.

   Isto talvez se deva a influências bastante diversificadas, que não são maioritáriamente do campo da Fantasia. A verdade é que desconheço muitas das obras tidas por referência pela "intelectualidade" do meio. Mas julgo que compenso essa falha com diversidade.

 

4 - "fazer mais livros de Goor"

 

   Infelizmente não vivo da escrita... Infelizmente, como tantos portugueses, tenho um trabalho que me ocupa muito tempo e me faz chegar estoirado a casa ao fim do dia. Não posso embarcar em retiros espirituais, nem em viagens inspiradoras, como fazem algumas figuras da escrita. Vivo a vida real da maioria dos portugueses.

   Tenho muitas ideias, mas poucas condições para as colocar no papel. Escreverei em tempos melhores. Espero, mas não desisto. Vamos a ver se será algo do género de Goor ou não...

 

5 - " Não encontrei aqui o livros nas paeplarias de (...)"

 

   Há tanto para dizer! Mas vou deixar este tema para um post posterior...

 

 

 

Resta-me agradecer as palavras simpáticas e o apoio que recebi deste mail. Como costumo dizer: a minha melhor recompensa é saber que alguém gostou de partilhar deste meu mundo!

 

Caso também queiram falar sobre Goor, enviem um mail para noctis2006@sapo.pt

Goor - A Crónica de Feaglar II

10.09.08

 

"Regresso a Goor, mundo fantástico capaz de fazer corar o Senhor dos Anéis!"
in Correio da Manhã

 

Homenagem a Rod Serling

08.09.08




ROD SERLING. Born Edward Rodman Serling in Syracuse, New York, U.S.A., 25 December 1924. Educated at Antioch College, Yellow Springs, Ohio, B.A. 1950. Married: Carolyn Kramer, 1948; two daughters. Served as paratrooper in U.S. Army during World War II. Worked as writer for WLW-Radio, Cincinnati, Ohio, 1946-48, WKRC-TV, Cincinnati, 1948-53; freelance writer, from 1953; producer, television series The Twilight Zone, 1959-64, and Night Gallery, from 1969; taught at Antioch College, 1950s and Ithaca College, 1970s. Honorary degrees: D.H.L., Emerson College, Boston, Massachusetts, 1971, and Alfred University, New York, 1972; Litt. D. from Ithaca College, 1972. President, National Academy of Television Arts and Sciences, 1965-66; member of the council, Writers Guild of America West, 1965-67. Recipient: six Emmy Awards; Sylvania Awards, 1955 and 1956; Christopher Awards, 1956 and 1971; Peabody Award, 1957; Hugo Awards, 1960, 1961, and 1962. Died 28 June 1975.

Rod Serling was perhaps the most prolific writer in American television. It is estimated that during his twenty-five year career, from the late 1940s to 1975, over 200 of his teleplays were produced.
 
 
 
This staggering body of work for television has ensured Serling's place in the history of the medium. His emphasis on character (psychology and motivation), the expedient handling of incisive, direct and forceful and painfully penetrating dialogue, alongside his moralizing subtext, placed him in a unique position to question mankind's prejudices and intolerance as he saw it.


TELEVISION PLAYS (selection, writer)
1953 "Nightmare at Ground Zero" Suspense1953 "Old MacDonald Had a Curve" Kraft Television Theater1954 "One for the Angels" Danger 1955 "Patterns" Kraft Television Theater 1955 "The Rack" U.S. Steel Hour1956 "Requiem for a Heavyweight" Playhouse 90 1956 "Forbidden Area" Playhouse 90 (from Pat Frank's novel)1957 "The Comedian" Playhouse 901959 "The Lonely" Twilight Zone1959 "Time Enough at Last" Twilight Zone1965-66 The Loner, 14 Episodes1966 The Doomsday Flight 1970 "A Storm in Summer" Hallmark Hall of Fame1971 "Make Me Laugh" Night Gallery
TELEVISION SERIES (producer)
1959-64 The Twilight Zone 1970-73 Night Gallery
FILMS (writer)
Patterns, 1956; Saddle the Wind (with Thomas Thompson), 1958; Requiem for a Heavyweight, 1962; The Yellow Canary, 1963; Seven Days in May, 1964; Assault on a Queen, 1966; Planet of the Apes (with Michael Wilson), 1968; A Time for Predators, 1971.
STAGE
The Killing Season, 1968.
PUBLICATIONS
Stories from the Twilight Zone. New York: Bantam, 1960.
More Stories from the Twilight Zone. New York: Bantam, 1961.
New Stories from the Twilight Zone. New York: Bantam, 1962.
Requiem for a Heavyweight (novel). New York: Bantam, and London: Corgi, 1962.
From the Twilight Zone (short stories). New York: Doubleday, 1962.
Night Gallery (short stories). New York: Bantam, 1971.
Night Gallery 2 (short stories). New York: Bantam, 1972.
Rod Serling's Night Gallery Reader. Greenberg, Martin H., Carol Serling, and Charles G. Waugh, editors. New York: Dembner Books, 1987.

 

 

"You're traveling through another dimension -- a dimension not only of sight and sound but of mind. A journey into a wondrous land whose boundaries are that of imagination. That's a signpost up ahead: your next stop: the Twilight Zone! "


"You unlock this door with the key of imagination. Beyond it is another dimension: a dimension of sound, a dimension of sight, a dimension of mind. You're moving into a land of both shadow and substance, of things and ideas. You've just crossed over into... the Twilight Zone."

 
  
 
"Há uma quinta dimensão além daquelas conhecidas pelo Homem. É uma dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito. É o espaço intermediário entre a luz e a sombra, entre a ciência e a superstição; e se encontra entre o abismo dos temores do Homem e o cume dos seus conhecimentos. É a dimensão da fantasia. Uma região Além da Imaginação."
 
 The Twilight Zone---Nick of Time (P1/3)
The Twilight Zone---Nick of Time (P2/3)

 

The Twilight Zone---Nick of Time (P3/3)
 
Esta é uma justa homenagem a um autor e a uma série que me influenciou profundamente durante a minha infância/juventude. Depois de me ter espicaçado a imaginação, voltei a vê-la e percebi que cada episódio continha também uma mensagem muito importante. Esta série de culto irá sempre acompanhar-me e influênciar-me. Obrigado Rod Serling.

PS: E APROVEITE PARA VER O EPISÒDIO.

Era - Misere Mani

04.09.08

 

 

Continuo apaixonado pela NEW AGE, que é sempre uma musa...

As grandes mentes do fantástico: Lovecraft

01.09.08


 

Howard Philips Lovecraft foi o único filho de Winfield Scott Lovecraft, negociante de jóias e metais preciosos, e Sarah Susan Phillips, que provinha de uma importante família americana. Lovecraft tinha três anos quando o seu pai sofreu uma aguda crise nervosa que deixou sequelas profundas, obrigando-o a passar o resto de sua vida em clínicas de repouso. Consequentemente Lovecraft foi educado pela sua mãe , Sarah, por duas tias e também pelo seu avô, Whipple van Buren Phillips, que muito o influenciou. Lovecraft era um jovem prodígio que recitava poesia aos dois anos e já escrevia os seus próprios poemas com apenas seis anos de idade. Foi o seu avô que encorajou os seus hábitos de leitura, apresentando-lhe versões infantis da Ilíada e da Odisseia, de Homero, e introduzindo-o à literatura de terror gótico.
Lovecraft passou uma infância assolada pela doença. Na biografia do autor, o seu biógrafo, L. Sprague de Camp, afirmou que o jovem Howard sofria de poiquilotermia, uma raríssima doença que fazia com que a sua pele se apresentasse sempre gelada ao toque. Devido aos seus problemas de saúde, ele frequentou a escola apenas esporadicamente, contudo lia bastante.
A morte de seu avô, em 1904, revelou-se um acontecimento fatídico que levou a família a um grave estado de pobreza, em decorrência da incapacidade das filhas de gerir os bens que este lhes havia deixado em herança. Foram assim obrigados a mudar de habitação e a deixar o estilo de vida mais cómodo a que se tinham habituado. Uma das consequências foi o súbito agravo da saúde do já muito frágil Lovecraft. Em 1908, um colapso nervoso levou a que o jovem Lovecraft ficasse impedido de receber o seu diploma no ensino médio o que, consequentemente, complicou a sua entrada na universidade. Esse fracasso pessoal marcaria Lovecraft para o resto dos seus dias.
Durante a sua juventud dedicou-se a escrever poesia, mergulhando na ficção de terror apenas a partir de 1917. Em 1923, publicou o seu primeiro trabalho profissional, Dagon, na revista Weird Tales. Lovecraft junto de C.M. Eddy , tornou-se um ghostwriter no magazine Weird Tales, para artigos do famoso mágico Harry Houdini.
Após a morte de sua mãe, que nunca chegou a ver o filho publicar um trabalho, Lovecraft trabalhou como jornalista por um curto período de tempo, durante o qual conheceu Sonia Greene com quem viria a casar. Ela era natural da Ucrânia, oito anos mais velha que ele. O casal mudou-se para o bairro de Brooklyn, na cidade de Nova Iorque, cidade que Lovecraft nunca gostou. O casamento durou poucos anos e, após o divórcio amigável, Lovecraft regressou a Providence, onde habitaria até morrer.
O período imediatamente após o divórcio foi o mais prolífico de Lovecraft. Foram várias as vezes em que ele se correspondia com vários escritores estreantes de horror, ficção e aventura. Entre eles, o seu mais ávido correspondente era Robert E. Howard, criador de Conan o Bárbaro. Algumas das suas mais extensas obras, Nas Montanhas da Loucura e O Caso de Charles Dexter Ward, foram escritas nessa época.
Os últimos anos da sua vida foram bastante difíceis. Em 1932, a sua amada tia Lillian Clark, com quem ele vivia, faleceu. Lovecraft mudou-se para uma pequena casa alugada com outra tia e companhia remanescente, Annie Gamwell. A casa era situada atrás da biblioteca John Hay. Para sobreviver, considerando-se que seus próprios textos aumentavam em complexidade e número de palavras (dificultando as vendas), Lovecraft apoiava-se como podia em revisões e "ghost-writing" de textos assinados por outros, inclusive poemas e obras não fictícias. Em 1936, a notícia do suicídio de seu amigo Robert E. Howard deixou-o profundamente entristecido e abalado. Nesse ano, a doença que o mataria (cancro no intestino) já avançara o suficiente para que pouco se pudesse fazer contra ela. Lovecraft suportou dores horríveis até que em 10 de Março de 1937 se viu obrigado a ser internado no Hospital Memorial Jane Brown. Ali morreria cinco dias depois. Contava então 46 anos de idade.
Howard Phillips Lovecraft foi enterrado no dia 18 de Março de 1937, no cemitério de Swan Point, em Providence, no jazigo da família Phillips. O seu túmulo é o mais visitado do local, mas passaram-se décadas sem que o mesmo fosse demarcado de forma exclusiva. No centenário do seu nascimento, milhares de fãs norte-americanos se organizaram para inaugurar uma lápide definitiva, que exibe a frase "Eu sou Providence", extraída de uma das suas cartas.
H. P. Lovecraft e as criaturas de Cthulhu, por ele criadas
Pensa-se que a maior parte dos trabalhos de Lovecraft foram directamente inspirados pelos seus constantes pesadelos, o que contribuiu para a criação de uma obra marcada pelo subconsciente e pelo simbolismo. As suas maiores influências foram Edgar Allan Poe, por quem Lovecraft nutria profunda admiração, e Lord Dunsany, cujas narrativas de fantasia inspiraram as suas histórias em “terras de sonho”. As constantes referências, nos seus textos, a horrores antigos e a monstros e divindades ancestrais acabaram por gerar como que uma mitologia que hoje se conhece por Cthulhu Mythos, contendo vários panteões de seres extraordinários, tão poderosos que eram ou podiam ser considerados deuses, e que reinaram sobre a Terra milhões de anos antes do aparecimento dos humanos. Entre outras coisas, alguns dos seres teriam sido os responsáveis pela criação da raça humana e teriam uma intervenção directa em toda a história do universo.
A expressão Cthulhu Mythos foi criada, após a morte de Lovecraft, pelo escritor August Derleth, um dos muitos escritores que basearam as suas histórias nos trabalhos deste. Lovecraft criou também um dos mais famosos e explorados artefactos das histórias de terror, o Necronomicon, um livro de invocação de demónios escrito por Abdul Alhazred, sendo até hoje popular o mito da existência real deste livro, fomentado especialmente pela publicação de vários Necronomicons falsos e por um texto, da autoria do próprio Lovecraft, explicando a sua origem e percurso histórico.
Lovecraft foi um dos mais geniais mestres do terror, a sua obra é intensa e imprescindível para um admirador do género. Muitos têm tentado viver à altura do legado do mestre, esperamos assim que das cinzas surja de novo um escritor tão mágico quanto ele!
Postado por Igdrasil in Correio do Fantástico
publicado por sá morais às 13:25

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