A Perna Cabeluda 



Essa história da Perna Cabeluda foi criada, no início da década de 1970, por jornalistas do Diário de Pernambuco e do Diário da Noite, este último o vespertino (hoje extinto) do Jornal do Commercio.

Em resumo, é mais ou menos o seguinte: Certo dia, a polícia encontrou, boiando no Rio Capibaribe, no Recife, uma perna humana, provavelmente de um homem, visto que era bastante peluda. Os jornais noticiaram o achado macabro, em suas páginas policiais. 

Como à época os jornais viviam sob a censura política dos governos militares e muitas informações não podiam ser veiculadas, esse tipo de notícias tinha razoável destaque. E foi assim com a tal perna. Só que, nos dias seguintes, a polícia nada mais encontrou, nenhum corpo mutilado ao qual a perna pertenceria.

Tudo ficou apenas na dita perna. Para não perder o assunto, os jornais começaram a inventar versões para a perna. A princípio, eram versões normais, sobre essa ou aquela possível origem da perna cabeluda.

Depois, vieram as fantasias, entre as quais a versão de que a perna era mal-assombrada e corria atrás das pessoas pelas ruas do Recife. 

Pronto, a partir daí, todo dia os jornais publicavam estórias sobre a Perna Cabeluda. "Notícias" dando conta que uma perna cabeluda estaria assustando os moradores desse e daquele bairro; que uma perna cabeluda correu atrás de uma moça na Av. Conde da Boa Vista etc. e tal. 

Foram vários meses com esse tipo de "notícias" e muita gente do povo entrou na onda, pois os jornais traziam depoimentos de populares afirmando que viram a dita perna e tal.

Numa ocasião, a perna cabeluda aparecia numa gafieira, assustando as pessoas que se divertiam; noutro instante, a perna passeava pelo centro da cidade. 

Bem, depois que os jornalistas desistiram da "brincadeira", a história da misteriosa perna ficou na boca do povo.

E hoje existem até folhetos de cordel sobre o tema. Chico Science também já citou a perna cabeluda numa música e por aí vai. Cada versão aumenta ainda mais a fantasia em torno da estória. 



Galega da Cadisa



No final da década de 1960, surgiu em Caruaru uma bela e loura mulher que acabou levando pânico a todos aqueles que ousassem passar de carro, a partir de certas horas da noite, por um trecho de rua à época pouco movimentado, localizado nas proximidades do estádio do Central, na época o principal time de futebol da cidade. 

Na esquina desse pedaço de rua ficava o prédio de uma revendedora de automóveis denominada Caruaru Diesel S.A (Cadisa), em frente ao qual tudo acontecia.

Durante o dia, não havia nada de estranho, até crianças passavam por ali sem nenhum problema. O perigo era trafegar pela área depois das dez horas da noite. 

Veja como tudo acontecia: quando um carro apontava na esquina, uma bela mulher, loura de olhos azuis, surgia de repente, supostamente vinda do interior do prédio da Cadisa que, no entanto, permanecia com todas as portas fechadas.

Se a pessoa que dirigisse o carro fosse uma outra mulher, a Galega deixava passar. Se fosse um homem, ela pedia carona. 

Perto dali ficava a zona de prostituição de Caruaru e, talvez por isso, a Galega da Cadisa sempre conseguia caronas.

Ela pedia que a deixassem em sua residência, uma pequena casa no bairro do Salgado, e no caminho insinuava querer ter um caso amoroso com seus caroneiros. Mas, ao chegar, se despedia e, depressa, entrava em casa, dizendo que logo retomaria o contato.

Os mais encantados com a Galega (a maioria deles motoristas de táxis) acabavam não resistindo e, no dia seguinte, iam procurá-la, em casa.

Quem atendia, porém, era um senhor de idade, ferreiro de profissão, o verdadeiro morador da casa. Ele sabia, sim, que ali havia morado uma mulher loura e informava que ela morrera fazia vinte anos. 

As primeiras aparições da Galega da Cadisa não tiveram grande repercussão, até porque os casos eram comentados à boca pequena, apenas entre alguns motoristas que diziam já ter passado pela experiência, ou nas rodas-de-bar.

Mas, depois que um radialista passou a noticiar os "causos" no programa policial de uma emissora de rádio de grande audiência, a estória pipocou na cidade. 

Foram dois anos de muitos "causos" envolvendo a Galega da Cadisa e seus pobres pretendentes. Depois, quando a revendedora de automóveis encerrou suas atividades, nunca mais se ouviu falar da encantadora loura.

Ficaram apenas o mistério em torno daquelas aparições e a intrigante constatação de que a Galega só saía do prédio para pedir caronas enquanto ali funcionou uma revendedora de automóveis. 

Por que será que a Galega sumiu depois que o edifício passou a ter outro uso? Para essa pergunta, ninguém nunca teve resposta. 



Cabra Cabriola 



Conta a lenda que era um enorme monstro, de dentes agudíssimos, que soltava fogo pelas narinas e pela boca.

Em suas investidas noturnas, procurava entrar nas casas para devorar os meninos que encontrava. Existem vários contos populares cujo personagem central é a Cabra Cabriola.

O mais famoso em Pernambuco data de meados do século XIX e diz mais ou menos assim: Existia uma mulher, mãe de três crianças pequenas, que sempre saía à noite em busca de meios para sustentar seus filhos.

Ao sair, ela recomendava às crianças que tomassem cuidados com monstros, que não abrissem a porta para ninguém até ela voltar.

E, assim, os meninos costumavam fazer: só abriam a porta quando a mãe retornava e, com sua voz familiar, pedia aos filhos que a abrissem. 

Certa noite, a Cabra Cabriola chegou à casa dessa mulher, bateu à porta e, falando como se fosse a mãe das crianças, pediu que a deixassem entrar.

O disfarce, porém, não foi perfeito, visto que a Cabra Cabriola não modificou o timbre de sua voz grossa e horrível.

Os meninos perceberam que não se tratava da mãe deles e não abriram a porta. A Cabra Cabriola, então, foi embora prometendo, baixinho, voltar. 

Semanas depois, a Cabra Cabriola voltou à casa daquelas três pobres crianças. Mas, desta vez não bateu à porta, ela ficou escondida aguardando o retorno da mãe das crianças, com o seguinte objetivo: conhecer o timbre da voz da mulher e aprender todos os termos usados por ela para chamar os filhos.

Era a preparação para a grande e certeira investida que realmente aconteceria. No dia seguinte, a Cabra Cabriola foi à oficina de um ferreiro e mandou que ele batesse a língua dela na bigorna, para que o timbre de sua voz, antes grossa e horrível, ficasse bem parecido com o da voz da mulher.

À noite, a Cabra Cabriola esperou que a mãe das crianças saísse e completou o seu terrível plano: bateu à porta, imitando em tudo o chamado da mulher: "Filhinhos, filhinhos..." Crentes que era a mãe delas, as crianças abriram a porta e foram todas devoradas pela Cabra Cabriola. 




Chora Menino



A praça situada no final da Rua Manoel Borba, na Boa Vista, é um dos mais famosos lugares mal-assombrados do Recife. Antigamente, o local era denominado Mondego e tinha ali uma capelinha. 

Durante a revolta militar conhecida como Setembrizada, que eclodiu entre os dias 14 e 16 de setembro de 1831, cerca de 300 soldados se amotinaram ali e foram massacrados por tropas leais ao governo. 

A maioria desses soldados foi sepultada ali mesmo no local da carnificina e, a partir daquela data, quem passasse pelo local ouvia gemidos e choros que seriam dos filhos dos soldados lamentando a morte dos seus pais. 

A história desses choros e gemidos ganhou as ruas do Recife e, assim, a praça passou a ser chamada de Chora Menino, ao mesmo tempo em que ganhou fama de local mal-assombrado.



Fonte: Pernambuco de A-Z