Autor: Pedro Ventura
Editora: Editorial Presença (2011)





O Regresso dos Deuses - Rebelião é a nova obra de Pedro Ventura e surge no seguimento de Goor – A Crónica de Feaglar – dividido em dois volumes publicados pela chancela da Papiro Editora. Contudo, este novo livro consegue ser independente dos anteriores, uma vez que a tramas são afastadas temporalmente e ainda por serem fornecidas as informações passadas necessárias para entender o enredo.

Pedro Ventura apresenta uma era onda a paz e a prosperidade são uma aparência, uma vez que a existência humana está ameaçada pelo domínio Holkan. É neste clima de tensão que surge uma misteriosa mulher que assume a missão de alterar o rumo dos acontecimentos.

“Que ela não é como nós já eu sei… O que eu não sei é o que ela realmente é…”

Calédra Denaris é uma bela guerreira e antiga rainha dos aurabranos que ficou adormecida durante várias décadas, despertando num tempo distante e diferente daquele que conhecia. Os locais que visita estão diferentes ou esquecidos, depara-se com os descendentes daqueles que conheceu no seu tempo, reconhece que o poder está nas mãos erradas e não aceita que a história tenha sido esquecida ou transformada numa lenda, e que certos temas importantes tenham sido proibidos ou adulterados.

A guerreira, outrora conhecida como Portadora da Luz, é dona de uma personalidade e de capacidades bastante peculiares que a afastam do herói comum. De temperamento instável, não procura agradar os outros mas sim lutar por aquilo que acredita, apesar de ser possível ao leitor conhecer as suas dúvidas, desespero, angústias e a força que a leva a continuar a lutar pelo ideal. Calédra não é uma personagem agradável num ponto de vista inicial, mas revela-se bastante peculiar e forte.

Pedro Ventura apresenta uma escrita bastante coerente e as suas ideias são bem transmitidas. Os diálogos estão bem conseguidos e são credíveis. Mas a existência de um mapa ajudaria o leitor a melhor localizar a acção assim como a melhor entender o espaço que existe na mente do autor.

O leitor irá viajar por uma terra diferente onde surgirão diferentes personagens que irão seguir a guerreira, e é aqui que surgem algumas das mais agradáveis surpresas. O grupo que se junta não parece ser o mais indicado para a missão em curso, mas o leitor logo perceberá que muitas destas personagens não são apenas aquilo que aparentam, o que lhes confere uma dimensão mais humana e realista.

Durante esta aventura são muitos e diferentes os momentos com que o leitor se depara, sendo uns bastante interessantes enquanto outros tornam a leitura mais entediante. Isto, devido às grandes quantidades de informação desnecessárias ou pela existência de episódios que parecem um pouco forçados.

A Editorial Presença fez uma boa aposta em Pedro Ventura, um autor português possuidor de uma boa capacidade escrita e ideias interessantes. Seria agradável que a editora revelasse interesse em publicar o trabalho anterior, já que não se encontra disponível, assim como na aposta de projectos futuros. – Cláudia Sérgio