Sem ser necessário justificar uma escolha que entendo ser tão normal como a oposta - um protagonista - sinto necessidade de falar de Alien e da Bíblia... Para tal, começo com uma "analepse"...

 

Recordo-me de ter ido ao cinema ver o primeiro Alien, bem no início da década de 80, a uma daquelas majestosas salas, verdadeiros templos do cinema, entretanto extintas e substituídas pelas "pipoqueiras" e "coca-coleiras" salas de centro comercial. Tínhamos (sim, eu e os meus pais!) comprado os bilhetes com a habitual antecipação daqueles tempos menos apressados e eu aguardava junto dos cartazes do filme. Enquanto lutava com o relógio, as pessoas iam passando e comentando: "Opá, o herói deste filme parece uma gaija!" Não parecia! Era mesmo! Mesmo! A Tenente Ellen Ripley era uma pedrada no charco! Um charco monolítico que incluiria Rambos, Commandos, McClaines e até Gibsons Rickenbacker... Coisas que também gostava, não o posso negar sob pena de hipocrisia. Mas a Ripley estava num patamar diferente... Enfrentava, sem treino (nunca tinha sido marine, legionária, Seal, etc,etc...) , sem grandes armas (daquelas de munições ilimitadas que se viam a granel), sem ter corpo de armário ( felizmente! ), apenas a raça com os piores fígados de todo o universo! Ela era a protagonista do pretérito "mais-do-que-improvável" e isso era um trunfo! E cá ficou...

 

E depois a Bíblia... Na qual só tive interesse mais tardio e já à luz do que estava para trás... O Génesis, por exemplo, apresenta (apesar dos "retoques") um Adão aborrecidíssimo, planíssimo, mera marioneta num aborrecidíssimo Éden. Eva é o verdadeiro interesse do relato! Quebra as regras e ambiciona um poder maior. É ela quem abre a "Caixa de Pandora"... É ela o símbolo de uma ambição que não se contenta em ser parte de um rebanho dócil, fitando de baixo as divindades. E já nem falo de Lilith... 

 

Sendo assim, eis Calédra!

publicado por sá morais às 17:53