Tido para alguns como uma obra-prima da SF ( Heinlein discorda ), este é, de facto, um livro muito bem escrito que tenta estimular o pensamento critíco, o que só por si já é uma colossal virtude. No entanto, a limitação temporal da sua essência filosófica acaba por lhe tirar a "validade", caíndo no campo do utópico, do... impraticável e até mesmo do ridicúlo. Mas entende-se: a ideia era apelar à cultura pop dos anos 60. Hoje já não funciona e acaba por parecer ( certos momentos ) um romance de Aranda. E o que dizer de estereótipos como os presentes nas personagens femininas? Sexismo patético! Leia, mas há ( bem )melhor de Heinlein.

Deixando de lado as longas considerações sobre a "artfulness" ( que daria em interminável verborreia ) de todos os livros de Heinlein. A resposta populista e esperada podia ser "Glory Road" ou "The Moon is a Harsh Mistress". Não. Red Planet, por exemplo - apanhando os pontos de contacto ente ambas as obras. Exactamente por estar distante do realismo ( tão louvado ) que, pelas razões supracitadas, me parece tão pouco real ou actual. É mais simples e até juvenilesco? É! Mas quando se tratam disturbios morais e filosofias sociais ( por exemplo ) da forma com ele faz "à séria", melhor mesmo é ficar pelo "soft", mais virado para o entretenimento. Engole-se melhor. Afinal, quando não se sabe fazer "cozido", o melhor mesmo é ficar pelas "batatas fritas"!
Mas alterando a pergunta mesmo para "O que há melhor que heinlein, dentro desta temática?" Reponderei indirectamente a isso numa proxima publicação, ok?
 
por Andreia Torres
publicado por sá morais às 11:01